sexta-feira, 4 de abril de 2008

SÓCRATES...

O mestre que desafiou o homem a se conhecer


Para o pensador grego, só voltando-se para si mesmo o homem chega à sabedoria e se realiza como pessoa.

O pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego “trazer a filosofia do céu para a terra” e concentrá-la no homem e sua alma, a psique. A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Nessa empreitada de colocar a filosofia a serviço da formação do homem, Sócrates não estava sozinho. Pensadores sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens um saber enciclopédico e desenvolver sua eloqüência, que era a principal habilidade esperada de um político.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a estas status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-332 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.

O diálogo como estratégia de ensino

Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão “andar por aí (ruas, praças e ginásios, as escolas atenienses de atletismo), persuadindo novos e velhos a não se preocuparem tanto, nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma”.

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores – o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto escrito. Suas idéias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que conviveram com ele. Sócrates se fazia acompanhar freqüentemente por jovens, alguns pertencentes às mais ilustres e ricas famílias de Atenas.

O método socrático

Sócrates comparava sua função com a profissão de sua mãe, parteira – que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente. “O diálogo socrático tinha dois momentos”, diz Carlos Roberto Jamil Cury, professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O primeiro corresponderia às “dores do parto”, momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorância para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade – chegar a ela constituía a segunda parte do processo. Aí, ocorria o “parto das idéias”, momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia “polindo” as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações sucessivas. O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico. Já para a educação do espírito, Sócrates colocava em segundo plano os estudos científicos, por considerar que se baseavam em princípios mutáveis. Inspirado no aforismo “conhece-te a ti mesmo”, do templo de Delfos, julgava mais importantes os princípios universais, porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas.

O conhecimento leva à prática da virtude


Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos os demais, se não tiver autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em um tema central da ética e da filosofia moral. Também se formou aí o conceito de liberdade interior: livre é o homem que não se deixa escravizar por seus apetites e segue os princípios que, com a educação, afloram de seu interior.

Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes – fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações) leva à prática da virtude em si, que é una e indivisível.

Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.

O papel do mestre é despertar o espírito


O papel do mestre é, então, o de ajudar o educando a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio “iluminar” sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e à sua expressão – condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano.

A Pedagogia para o Auto-crescimento

Dirceu Moreira

A pedagogia para o autocrescimento: a maestria e a arte de apontar caminhos
Vou começar citando uma frase que dá todo o sentido e onde se baseia este texto: “O Mestre aponta o caminho, o discípulo segue sozinho até encontrar novamente o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo”. Prof. Henrique José de Souza (filósofo, líder espiritual, músico, polígrafo, poliglota, tradutor, e educador).
Agora vou dividir esta frase em três pequenos trechos a fim de que possamos compreender o que e como os grandes Mestres nos transmitem informações através de suas metáforas e parábolas.
1º) O Mestre aponta o caminho.
Os verdadeiros Mestres da humanidade ou aqueles que trilham este caminhar e principalmente os educadores, devem ter como principio que o Mestre não determina caminho, porque determinar é limitar a competência do seu aluno ou discípulos. Mesmo com ser humano no início de sua vida (no seu paidós, do grego=criança) também assim se processa. À medida que os pais oferecem condições para seus filhos seguirem seu autocrescimento da dependência para a autonomia consciente, estará exercendo o papel de Mestres. O sufixo Grego “agogia” tem o sentido de conduzir, guiar e direcionar, porque estamos tratando de uma metodologia voltada para o aprendizado das crianças. Também a própria palavra método de origem Grega significa fazer caminhos. O Mestre, em qualquer área do conhecimento que ele atuar não fará caminhos para ninguém apenas o apontará, porque sua função é despertar e tornar os seus discípulos conscientes do potencial que possuem, tanto quanto ele que naquele momento exercia a função de Mestre. Certa vez Jesus Cristo disse: a tua fé te curou. Ele devolvia para cada um, aquilo que traziam dentro de si, mas que não estava consciente. Os Mestres não devem permitir por parte de seus alunos e discípulos em qualquer idade, expressões do tipo: você é o máximo, você é insuperável, só você me compreende, sem você eu não teria chegado aonde cheguei e outras tantas coisas. Estas crenças nos Mestres limitam a competência dos discípulos e, elas podem ser traduzidas da seguinte maneira nas entrelinhas do emocional: se ele, o Mestre é o máximo, o discípulo é o mínimo. É importante perceber que o verdadeiro Mestre não se coloca no alto para humilhar ou subjugar seus alunos, trata-se apenas de um estado de consciência que este adquiriu, mas que o Mestre sabe que seu discípulo um dia chegará lá através dos seus próprios méritos. Estas crenças só servem para gerar mistificações e a formação de “falsos gurus” que permeiam atualmente nossos meios acadêmicos e não acadêmicos, num estrelismo que chega aos extremos. Se um aluno se mostra excelente, seu Mestre diz: você é muito competente e se supera a cada dia. Ele não compara desempenho, mas também não impede de que seu aluno utilize se das referências do seu desempenho em relação ao outro, desde que isso não venha dirimir a imagem do outro em detrimento da sua. Os pais são os Mestres para seus filhos mesmo antes dos outros Mestres, na escola ou na sociedade. São os Super Heróis, ainda que na infância não morram jamais no coração de seus filhos. Quando os pais ao invés de apontarem caminhos, ao contrário, determinam para seus filhos, estarão criando uma dependência que terá um custo no futuro deles.
Com relação à educação, mais do que nunca requer o renascer de uma pedagogia que agregue valores para compreensão do novo padrão evolucional destas crianças, que a vinte ou trinta anos atrás nasciam ligadas no 220W, relacionado, portanto ao desenvolvimento do mental concreto que observa, compara, deduz e decide com base nos fatos, aquilo, portanto, que é perceptível pelos cinco sentidos, e com isso sub valorizando a sabedoria em detrimento da memória, da decoreba, da repetição e das cópias. Quando nascíamos, ficávamos enfaixados como uma múmia durante um bom tempo e demorávamos a abrir os olhos. E Hoje? Nascem conectadas no global, no 440w, mas pés descalços, os fios desencapados e o chão molhado. Esta é uma metáfora para dizer daquilo que eu entendo do que disse o prof. Henrique J.de Souza: a 5ª essência, ou mental abstrato ou budico (eu superior). A partir deste momento o ser humano desperta para uma consciência de criatividade, por ter o adentrado ao seu Eu Superior, morada da essência Divina, e isto não implica em que este não esteja presente na razão e na emoção. Estas crianças parecem estar em curto o tempo todo. Curto circuito? Não. Curto espaço de tempo para aprenderem o que tem que ser aprendido. Todas elas? Ainda não, mas serão. O mundo dará um volta de 360 graus, então a educação e as novas metodologias terão que ter dado duas voltas. A metodologia do amor será resgatada no seu sentido original: o amor sabedoria. Amor sem sabedoria se transforma em tapinhas nas costas, agrade sempre, pais e mestres bonzinhos. Por sua vez a sabedoria sem o amor os transforma em pessoas frias e intelectóides. Neste novo caminhar não haverá trilhos para uma avaliação quantitativa do processo educacional, mas trilhas onde permeia a flexibilidade e visão sistêmica e global da constituição do ser humano. A avaliação qualitativa não despreza a quantitativa, mas une-se a ela e ambas evidenciam o jogo das polaridades. Todos os dias em sala de aula, o professor atua como Mestre indicando caminhos nos mais variados sentidos e atendendo muitas vezes a uma demanda de 30 ou 40 alunos em sala de aula, situação essa que exige um bom nível de resiliência ou habilidade em lidar e superar as adversidades do dia-a-dia no processo de ensinagem e aprendência. Essa resiliência requer que o Mestre tenha trilhado os caminhos tanto da razão quanto da emoção, da pedagogia, da psicologia, da mente e do coração, em fim a técnica pedagógica e o comportamental.
2º) O discípulo segue sozinho:
Quando o discípulo segue sozinho isto não quer dizer abandonado, porque o Mestre permanece atento ao seu crescente caminhar. Se precisar interferir o fará novamente sugerindo que repense o caminho. Mesmo no ensino infantil o Mestre deverá estar atento ao seu papel de conduzir (agogia) porque os desvios de caminhos são muitos sutis e freqüentes e a isto damos o nome de experiência. Deve ser compensador quando o Mestre observa que não ajuda mais seu aluno segurar o lápis ou caneta, que ele já arruma suas coisas sozinho, que faz suas primeiras operações de matemática, que escreve, lê, compreende e interpreta. Quando o Mestre deixa passar despercebido e não celebra estes pequenos acontecimentos, tornar-se-á mais tarde frustrado porque será incapaz de verificar o quanto foi importante no processo de auto crescimento do seu aluno. Quando isto acontece temos a desmotivação. É preciso saber celebrar a cada passo. Em cada momento deste, o aluno seguiu sozinho e confiante porque a confiança nasce do apoio e proteção do seu Mestre. Às vezes temos que compreender que os erros são ensaios para o acerto e, pedagogicamente aproveitar a oportunidade reconduzindo o aprendiz para o caminho da autonomia. Estar só exige que tomemos iniciativas, mesmo que ela seja simplesmente a de arrumar o quarto, quando a mãe está ocupada com outros afazeres. O Mestre, ao permitir que seu aluno siga sozinho seu caminho terá sempre em mente as etapas de desenvolvimento por que está passando seu aluno. Há uma diferença muito grande entre uma criança de dois anos e outra com três, quando ambas tiverem, seis e cinco, sete e seis anos, doze e onze e assim sucessivamente, o caminhar sozinho terá suas diferenças extremamente importante, além disso, o Mestre deve estar atento aos diferenciais de cada aluno. Nem todos os frutos amadurecem no mesmo período e todos são bons frutos da mesma ÁRVORE da VIDA.
3º) Até encontrar o Mestre novamente, mas desta vez dentro de si mesmo.
Quando o aprendiz vai crescendo e se percebendo no caminho da autonomia, o Mestre por sua vez apenas e tão somente acena para ele e o cumprimenta pelo que conseguiu atingir na sua auto transformação e superação de si mesmo nesta longa caminhada chamada evolução, que podemos resumir no que dizia o prof. Henrique José de Souza: transformação de vida energia em vida consciência. Esta consciência o leva ao maior de todos os encontros: o encontro consigo mesmo, com sua essência aquela da pedagogia do amor que consiste na sabedoria Divina de poder viver uma vida pautada no que há de bom, bem e belo neste mundo. Esta transformação não se deu única e exclusivamente por causa do seu Mestre, mas porque seu Mestre Interior traz a Essência que pulsa em todas as coisas e aquele o ajudou a desperta-la. Quando o Mestre não tem esta postura torna seus alunos dependentes. Por outro lado quando o Mestre é capaz de identificar no seu aluno o potencial e o facilita a desenvolver, terá mil razões para se enthusiamar (enthus do grego é divino) com o progresso do seu aluno e celebrar a sua participação no auto crescimento dele. Quantas vezes os Mestres se esquecem destes detalhes e deixa passar despercebido o momento de um reencontro com seu aluno que agora é um Mestre, não porque dá aulas, mas porque venceu. Mestres, onde estão seus alunos agora, depois de passados Z, Y ou X anos? O que estão, ou onde estão atuando? A minha primeira professora Dona Ondina me conduziu, apontou e ajudou-me nos primeiros passos da vida acadêmica, depois vieram outras que somaram e cheguei onde estou. E você professor (a), Mestre (a) onde estão seus ex-alunos? No meu site tem um projeto que denominei de ALFACE disponível a qualquer escola que o queira utilizar, não há custo, há apenas recompensas do reencontro. Eu jamais poderia deixar de citar aqui, aquele que foi o maior de todos os Mestres do ciclo de peixes: Jesus Cristo. Ele disse três palavras fundamentais para os fundamentos da pedagogia do amor. É doando que se recebe. Assim fazem os Mestres doam-se, mas é importante perceberem também quanto recebem de seus alunos/discípulos. Peças e receberás. Os discípulos/alunos pedem apoio, compreensão, prazo, paciência, amor, oportunidade e, os Mestres por sua vez atende a estes pedidos, mas dentro de uma tônica dos princípios de justiça e sabedoria, para não cometerem o erro de apontarem o caminho da dependência. A terceira frase “a quem muito for dado muito será cobrado”, que passou e passa despercebido da maioria dos alunos. Se pedir, recebemos se doarmos recebemos também, mas há a contra partida: a responsabilidade. Quando adentramos no caminho apontado pelo Mestre e seguirmos como nossos próprios esforços, nos tornaremos Mestres, mas neste caminhar recebemos muito de todos os lados: dos pais, dos educadores (escola), dos amigos e etc. Crescemos em consciência e quanto mais isso ocorre, mas nos tornamos responsáveis. O que, como e quantas vezes você exigia do seu aluno com 4, 6, 9, 15 e etc? Não foram diferentes em cada uma destas fazes, séries (anos)? A pedagogia do amor sabedoria nos conduz a um outro estágio de consciência e em nele chegando, assumimos novas e maiores responsabilidade. Encontrar-se novamente com o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo é sem dúvida um novo renascer, porque será um encontro com o principio do TODO que pulsa dentro de cada ser humano, impulsionado-o rumo à evolução.
Assim os Mestres se comunicam com seus discípulos/alunos, nem sempre deixando tudo tão claro e obvio, mas muitas vezes o fazem nas entrelinhas, a fim de despertar neles a eterna CPI - Curiosidade Permanente de Investigação.

Aos Pais - O Nó do Afeto

Em uma reunião de Pais, numa Escola da Periferia, a Diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-Ihes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível.

Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar a entender as crianças.
Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou a explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana.

Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando ele voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho a que tentava se redimir indo beijá?lo todas as noites quando chegava em casa.

E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.
Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A diretora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante.
E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.
O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem presentes, de se comunicarem com o filho.

Aquele pai encontrou a sua, simples, mas eficiente. E o mais Importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.

Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento. Simples gestos como um beijo a um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas vazias.

É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.

É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o ciúme do bebê que roubou o colo, o medo do escuro. A criança pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afeto e carinho.

E você... já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje?

Somos Pedagogos, responsáveis em conduzir nossos alunos. Mas se quisermos podemos ir muito além... Podemos conduzir os pais de nossas alunos, que talvez estejam somente à espera de quem os conduza, para uma convivência harmoniosa e significativa com seus filhos.

O Verdadeiro Ócio

A verdadeira riqueza é apenas a riqueza interior da alma, tudo o resto traz mais problemas do que vantagens (Luciano). Alguém assim rico interiormente de nada precisa do mundo exterior a não ser um presente negativo, a saber, o ócio, para poder cultivar e desenvolver as suas capacidades espirituais e fruir a sua riqueza interior. Portanto, requer propriamente apenas a permissão para ser ele mesmo durante toda a sua vida, a cada dia e a cada hora. Se alguém estiver destinado a imprimir, em toda a raça humana, o traço do seu espírito, haverá para ele apenas uma felicidade e infelicidade, ou seja, a de poder aperfeiçoar as suas disposições e completar as suas obras - ou disso ser impedido. O resto é-lhe insignificante. Sendo assim, vemos os grandes espíritos de todos os tempos atribuírem o valor supremo ao ócio. Pois este vale tanto quanto o homem. A felicidade parece residir no ócio, diz Aristóteles, e Diógenes Laércio relata que Sócrates louva o ócio como a mais bela posse.

Também corresponde a isso o facto de Aristóteles declarar a vida filosófica como a mais feliz. De modo semelhante, diz na Política: "Poder exercer livremente as próprias aptidões, sejam elas quais forem, é a verdadeira felicidade", o que coincide com a sentença de Goethe em Wilhelm Meister. Quem nasceu com um talento, para um talento, encontra no mesmo a sua mais bela existência. Todavia, possuir ócio é estranho não só à sorte comum, mas também à natureza comum do homem, pois o seu destino natural é o de empregar o seu tempo com a aquisição do necessário para a sua existência e a da sua família. Ele é um filho da necessidade, não uma inteligência livre. Em conformidade com isso, o ócio logo se torna um fardo para o homem comum, por fim um tormento, se ele não conseguir preenchê-lo com os fins artificiais e fictícios de toda a espécie, mediante o jogo, a distração e passatempos de todo o tipo.

Pelos mesmos motivos, o ócio também lhe traz perigo, pois com acerto se diz difícil é a quietude no ócio. Por outro lado, um intelecto que exceda em muito a medida normal também é uma anomalia, portanto, inatural. No entanto, uma vez que existe, o homem que dele dispõe, para poder encontrar a sua felicidade, precisa justamente daquele ócio que, para os outros, ou é inoportuno, ou é pernicioso.

Quanto a ele, sem o ócio, será um Pégasus sob o jugo e, portanto, infeliz. Mas se as duas anomalias se encontram, a exterior e a interior, então é um caso de grande felicidade. Pois aquele assim favorecido levará uma vida de tipo superior, a saber, a de quem está eximido das duas fontes opostas do sofrimento humano, a necessidade e o tédio, ou do laborar preocupado pela existência e a incapacidade de suportar o ócio (isto é, a própria existência livre), que são males dos quais o homem escapará apenas quando eles se neutralizarem e se suprimirem reciprocamente.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida

O Defeito dos Homens Ativos (os muito ocupados...)

Aos ativos falta, habitualmente, a atividade superior: refiro-me à individual. Eles são ativos enquanto funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como seres genéricos, mas não enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e únicas; neste aspecto, são indolentes. A infelicidade das pessoas ativas é a sua actividade ser quase sempre um tanto absurda. Não se pode, por exemplo, perguntar ao banqueiro, que junta dinheiro, qual o objetivo da sua incansável atividade: ela é irracional. Os homens ativos rebolam como rebola a pedra, em conformidade com a estupidez da mecânica. Todos os homens se dividem, como em todos os tempos também ainda atualmente, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços do seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Ócio Criativo e Educação

Domenico De Masi, sociólogo italiano expôs suas idéias sobre a sociedade e o trabalho, sempre atento aos conceitos de uma visão de futuro.O autor é um insatisfeito com o modelo social centrado da idolatria do trabalho e propõe um novo paradigma baseado na simultaneidade entre trabalho, estudo, jogo e lazer, no qual os indivíduos são educados para privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas, a ecologia, a paz, a convivência pacífica, o que, inteligentemente chama de ócio criativo.

Alerta ainda que o ócio pode transformar-se em violência, neurose vício e preguiça. Mas pode também elevar-se a arte, criatividade, liberdade e bem-estar. Lembra-nos que é no tempo livre que devemos passar a maior parte de nossos dias e neles concentrar nossas melhores potencialidades.

Narrando as mudanças de paradigmas ocorridas no decorrer da história da sociedade e do trabalho, conclui que chegamos a ponto de que o único emprego remunerado disponível é do intelectual criativo e aquele que não estiver preparado para isto, terá como futuro o desemprego. Tudo hoje é tecnologia.O futuro pertence aos que sabem usar mais a cabeça e menos as mãos. A pesquisa, a psicologia, o marketing, a arte, a educação, estas são as funções do futuro e não mais a guerra, o petróleo, a fabricação de parafusos e geladeiras.

É a subjetividade que orientará a vida e o trabalho daqui para frente. O homem sempre oscilou entre dois desejos: o de distinguir e o de homogeneizar num processo de dois séculos de homogeneização absolutamente imposto pela indústria. Hoje, a tecnologia nos permite diferenciar, e é o que estamos fazendo, criando ambientes inteligentes armazenados pelo computador; trabalhando em casa, estabelecendo relações virtuais com amigos e parentes; conjugando o pequeno, o grande, o individual e o coletivo.

A plenitude da atividade humana apenas é alcançada quando se acumulam o estudo, o trabalho e o jogo. Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação. Distingue uma coisa da outra com dificuldade.A intelectualidade prescinde à habilidade manual, devemos usar mais a cabeça do que a força física e entre as habilidades intelectuais a mais apreciada é a criatividade e o aspecto técnico prescinde do estético. É a estética que conduz à subjetividade.

Outros valores emergentes são a emotividade e a feminilidade. Devemos valorizar sem temor a esfera afetiva. A racionalidade permite-nos executar bem as nossas tarefas, mas sem a emotividade não é possível criar nada de novo.
As pessoas devem aprender a curtir mais o tempo livre e usá-lo para si. Ficar no emprego mais tempo que o necessário só serve para inventar coisas prejudiciais e aumentar gastos e custos para as empresas que são habitudinárias como paquidermes e repetem a vida inteira as mesmas coisas sem que percebam a sua inutilidade.

Agora, com a Internet, tudo pode ser modificado com muito mais facilidade. Devemos evitar que o indivíduo, uma vez liberto, depois de décadas contínuas, não saiba lidar com esta nova situação, tendo dificuldades para enfrentar este impacto de liberdade. Uma pessoa que não tem tempo livre há anos precisará de uma reeducação para aprender a utilizá-lo, é lógico.
Hoje a forma mais adequada de se garantir a produtividade na empresa é, justamente, melhorar a qualidade de vida dentro e fora dela. É preciso deslocar o trabalho para onde estão os trabalhadores e sermos nômades em busca do lazer, do estudo e da cultura.
Aqueles que assimilam rapidamente as novas categorias se projetam para o futuro. O restante forma o grande exército de perdedores. No mundo de hoje, a velocidade impera, quem é lento fica à mercê. Quem é rápido, decide. O mundo exclui quem não é rápido. Privilegia-se a produção de idéias, exige-se corpo quieto e mente inquieta, o que eu chamo de "ócio criativo": ter mais tempo para "bolar", para "idear".

O ócio é uma arte e nem todos são artistas.
Contudo, teremos muitas resistências, sendo a maior delas, sem dúvida, o masoquismo coletivo: nem sempre as pessoas querem viver melhor e ser mais felizes.

Devemos, portanto, educar as pessoas também, eu diria, até principalmente, para o ócio e não só para o trabalho, como infelizmente acontece até os nossos dias.

Educá-las não para o ócio dissipador e alienante, que nos faz sentir vazios, inúteis e nos afundar no tédio, na depressão e nos subestimar. Mas no ócio criativo que torna a mente ativa, que nos faz sentir livres, fecundos e em crescimento. Não no ócio que nos depaupera, mas no que nos enriquece, alimentado por estímulos ideativos e interdisciplinaridades.

Chegou o tempo em que a vida aumenta e o trabalho diminui. Temos mais tempo, mais cultura e mais consciência disto. Diante desta revolução é esperada uma angústia existencialista .O tédio aumenta porque estamos acostumados a associar tudo na vida a uma só coisa: o trabalho que passou a ser, há milênios, o nosso compromisso-chave e este compromisso tem que passar a ser minoritário do ponto de vista temporal.

De que serve viver se você não se sente viver? Saber viver hoje implica uma pedagogia baseada na solidariedade, nos princípios estéticos e criativos e o trabalho deve ser ensinado como um prazer criativo e estimulante. Deve-se ensinar também o não-trabalho: a viver prazerosamente e com sabedoria, apenas se deliciando, nada ,mais.

Outra palavra de ordem é criatividade. Os jovens de hoje, em 2 015 não poderão dar-se ao luxo de serem desonestos, pois lá os valores emergentes serão escolarização, emotividade, estética, subjetividade, confiança, estabilidade, feminilização, qualidade de vida, desestruturação do tempo e do espaço e a virtualidade. Será dada menos atenção ao dinheiro, posses e bens materiais e ao poder. Maior atenção ao saber, ao convívio social, ao jogo, ao amor, à introspecção. Os métodos pedagógicos deverão valorizar mais o diálogo, a escuta, a solidariedade, a criatividade.

Ciente dos rumos que a sociedade vai traçando, nós pedagogos, podemos desde já preparar nossos alunos para saberem viver no ócio-criativo, isso inclui ensiná-los a escolher um bom filme, um bom livro, viver bem com os amigos e as demais pessoas, gerir uma família, ser um bom cidadão, e mudar a concepção na qual só será feliz aquele que trabalhar bem e muito.