terça-feira, 12 de agosto de 2008

Educação: Um Projeto Maquiavélico...

...em favor das elites.




Antônio da Costa Neto

Estamos em pleno Séc. XXI e algumas coisas permanecem arraigadas no atraso conceitual, metodológico, filosófico, dentre outros. Aí incluindo, os processos pedagógicos, as suas teorias e práticas, a gestão das escolas, enfim, o projeto de educação formal das pessoas.

Faz-se mais que urgente e necessário repensar com profundidade a tônica do papel das escolas, os serviços e desserviços que prestam. Suas lacunas e fragilidades - algumas muito graves - se, de fato, pretendemos superar a crise endêmica que assola o planeta e possamos ter uma qualidade de vida, no mínimo digna para todos. Sem dúvida, um dos poucos caminhos que ainda nos restam para a superação dos grandes males do mundo a que todos nos achamos expostos.


Sempre trabalhei com educação e sou um apaixonado pela sua causa. Mas paradoxalmente sempre fui também um crítico veemente das escolas, suas ações, seu cinismo histórico doentio. O teor da violência simbólica que elas carregam, praticam e cometem com isto um crime imenso e silencioso contra a humanidade, com uma preocupação absolutamente insensível de se perpetuar o poder do capitalismo - notadamente o internacional - e com ele, todas as formas iníquas de exploração das pessoas e da natureza. Gerando, com isto o grande caos, as crises, os horrores que as sociedades contemporâneas atravessam.

Acredito que quase todos nós estamos insatisfeitos com as múltiplas realidades que nos cercam. Somos a cada dia mais pobres, preocupados com o futuro de todos e, principalmente, o das gerações mais jovens. Muito nos incomoda a tirania do mundo moderno, a iniqüidade da economia e do mercado de trabalho, a violência urbana, o aquecimento global do planeta as endemias primárias - entre elas a febre amarela (?), etc.


Mas continuamos, inexplicavelmente, educando as pessoas para que elas possam dar continuidade a tudo isto. E persistimos a reclamar, a reproduzir o modelo, a termos os mesmos resultados que culminam com a infelicidade, os conflitos sociais, a morte precoce e antinatural. E tudo isto me incomoda muito, tanto que venho dedicando anos de estudos, pesquisas e publicações neste sentido, como algumas das conclusões que venho colocar a público por meio deste pequeno ensaio.

Bordieu & Passeron são dois autores clássicos importantes que vêm nos alertar sobre a escola como o mais importante aparelho ideológico a serviço do Estado opressor. Ou seja, para que a sociedade da exploração e do consumo funcione, é preciso que tenhamos cidadãos incautos, inocentes úteis e desinformados que forneçam sua força de trabalho, se disponham consciente ou inconscientemente a serem profundamente explorados e que, por fim, paguem e proporcionem o maior lucro possível aos detentores do capital produtivo, num círculo vicioso de mais exploração, mais consumo e mais lucro, e, por conseguinte, com mais miséria, mais desgraças, mais destruição.


Ora, o indivíduo que se expõe tão facilmente a este tipo de conduta horrenda e socialmente criminosa precisa ser suficientemente alienado e alijado politicamente de qualquer posicionamento crítico para fazê-lo. Cabe, portanto, às escolas a sublime tarefa de formar - conformar e deformar - as massas inteiras em relação aos potenciais construtores desta sociedade que, por sua vez, garantirá o pleno bem-estar dos seus mandantes, por meio da exploração contínua e gradual dos ditos subordinados, do povo, das classes populares, dos trabalhadores, entre os quais se incluem os profissionais da educação, que, em última análise, trabalham ideologicamente contra eles mesmos.

É preciso que saibam disto, embora doa. No entanto, a saída possível começa com o conhecimento e a aceitação desta dura realidade, o que, a princípio, os educadores têm a maior dificuldade. O que já faz parte do projeto maquiavélico de se usar a educação para a garantia dos interesses da perversidade dos modelos econômicos e sociais, qualificando sempre as pessoas no sentido de se facilitar o processo de uso e de exploração das mesmas. Isso se inicia com a própria formação dos educadores. As faculdades de educação, sempre na extrema retaguarda das universidades - para não falarmos na brutal falta de qualidade e responsabilidade acadêmica da grande maioria das instituições isoladas - fazem de tudo para aniquilar o futuro educador de qualquer visão crítica. Nos seus currículos é proibido falar em economia, inflação, ideologia, mecanismos internacionais, corrupção, crises, exploração do homem pelo homem; para que a crítica seja brutalmente assassinada antes que invada os calabouços horrendos das nossas escolas de todos os níveis, transformando-as em substrato inconsciente da alienação social das massas por meio dos conteúdos que ensinam, das táticas que usam, do policiamento que exercem.


Os pedagogos, os orientadores educacionais por exemplo, são formados para atuarem como autênticos cães-de-guarda farejadores dos interesses burgueses dentro das instituições educacionais. Basta que uma mínima prática ensaie a fugir destes, que começam a latir e rosnar grosso pelos corredores e gabinetes prontos para estilhaçarem qualquer educador que se atreva a fazê-lo.

Os cursos de licenciatura são outra vergonha deslavada, formando sempre pseudo-profissionais subservientes aos regimes e domínios da exploração social. Sendo notória a transformação da performance entre o calouro e o formando que perde ao longo de seu "curso" toda a sensibilidade, a disposição crítica, a autonomia, a flexibilidade. Produzindo a grande massa dos professores incautos e inocentes politicamente que, infelizmente aí temos.

Por que nas aulas ainda é exigida a tradicional e enfadonha chamada dos alunos? Ora, porque se trata de um momento tão cru, frio e desinteressante que só mesmo a coerção da chamada pode garantir a presença dos alunos. Aliás, o modelo aula/prova, num processo de controle policialesco à imposição de um saber balizado pelo interesse capitalista já foi superado há décadas, e, no entanto, continua aí firme e forte, segregando a teoria da prática, a indução da dedução. Criando forças antagônicas entre o saber, a ludicidade, a vida.

Daí a grande resistência dos alunos que querem tudo, menos ir para a escola. E ela é a grande responsável por isso. Deveria ser motivadora, interessante, convidativa, agradável e não, este "café requentado da pior qualidade" como muito sabiamente brinca o Prof. Pedro Demo em um dos seus inúmeros escritos. Mas é impossível fazer isto sem formar a consciência crítica, a percepção aguçada dos fenômenos, o teor da iniciativa; valores, é claro, inúteis à exploração da pessoa, morando aí o grande dificultador de uma educação de real qualidade que, na maioria das vezes, os educadores já acreditam que fazem. Ignorando por concreto a imensa distância que estão deste projeto que ainda está por vir.


Em síntese, a escola ensina aos seus alunos muito pouco do que realmente lhes interessa para viverem, fazerem suas conquistas, construírem sua felicidade, que é o que de fato interessa a todo o ser humano. Ela se utiliza de uma metodologia que mais confina o pensamento da pessoa fazendo dela um autêntico retrógrado aos interesses, motivações e impulsos do mundo e da vida moderna. Não avalia, mas pune o diferente, o criativo, o líder, o capaz. As escolas, tal como estão, estragam as pessoas, limitam suas capacidades, reduzem o seu potencial, transformando-as em pura massa de manobra. E ainda chamam isto de educação.


Há também uma política recessiva de não-valorização do educador e dos profissionais da área. O que é estratégico. E faz parte de um esforço brutal para que o famigerado fracasso da educação seja, de fato, um sucesso para os detentores do poder. Por isso, paga-se mal para que se ensine mal. Para que o magistério seja uma profissão de senhoritas caprichosas ou de senhoras "bem casadas" que não dependam do seu dinheiro para viver, para pagar suas contas. Assim, o Estado opressor atinge seu duplo objetivo: o de gastar menos com a educação para que sobre mais dinheiro para a compra de badulaques para as madames do seu circuito, tendo, em contrapartida gente desmotivada para ensinar bem. Perpetuando a alienação das massas com que se aprazem os governantes, os grandes empresários, os donos do poder. Precisamos, portanto, reconstituir todo o paradigma da educação e da escola, construindo e compartilhando normas e regras, elaborando conjuntamente novos, ricos e diversificados conhecimentos que dêem as respostas realmente necessárias a uma vida digna e de melhor qualidade para todos. Que ajudem a descentralizar o poder e a riqueza, que dêem a todos voz e vez na construção do mundo com o qual, com certeza, quase todos sonhamos.


Devemos, por exemplo, substituir a enfadonha e tediosa chamada nominal dos alunos por atividades ricas, lúdicas, interessantes, convidativas que, por si, já garantam a freqüência e a pontualidade. Trocar a obrigatorieadade do uso do uniforme pelo bom senso estético em saber o que, como se vestir; respeitar o outro, as suas condições econômicas, individualidade, autonomia. Não chamar mais ninguém de tio ou tia, senhor ou senhora, mas respeitosamente, por você e pelo próprio nome, horizontalizando a democracia e propiciando mais liberdade em termos psicológicos. Descentralizar o poder, difersificar os ambientes, os processos, os métodos. Cativar, amar, contextualizar o lúdico. Promover, e não, punir. Educar para a vida, ao invés de induzir para a exploração, o uso, o abuso, o lucro.

Precisamos enxergar com olhos críticos a essência do papel das escolas. Sentir a palpável dualidade dos pequenos serviços e dos infinitos desserviços que prestam. Os irremediáveis estragos que cometem. Evitar, daqui para a frente, as profundas desgraças que têm ajudado a constituir, estando ainda hoje, muito longe de saberem disto.


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tem Alguém Aí?


Gabriel O Pensador

Antes era só alegria, o mundo não mordia.
A vida era doce, nem ardia!
Mas aí um dia, ou quem sabe dois ou três, eu... só queria superar a timidez...
Eu queria fazer parte de alguma coisa.
Se crescer já é difícil, crescer sozinho é mais.
A gente tem que dar um jeito de gostar de alguma coisa.
A gente tem que dar um jeito... de ficar satisfeito!
Mas o tempo passa, e se a vida é sem graça, a gente disfarça, na mesa do jantar.
Pra depois tentar desabafar numa conversa, mas ninguém se interessa, na mesa do bar!

Ninguém tá escutando o que eu quero dizer!
Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar!
Ninguém tá explicando o que eu quero entender!
Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar!

Conversa vazia, cabeça vazia de prazer, cheia de dúvida e de vontade de fazer qualquer loucura que pareça aventura.
Qualquer experiência que altere o estado de consciência.
E que te dê a sensação de que você não tá perdido.
Que alguém te dá ouvidos. Que a vida faz sentido!
Chega! Não, eu quero mais!
Bebe, fuma, cheira, tanto faz.
Droga é aquela substância responsável por tornar a sua vida aparentemente mais suportável.
Confortável ilusão: parece liberdade e na verdade é uma prisão.

Refrão

Ninguém prepara o jovem, nem os pais nem a TV, pra botar o pé na estrada e não se perder.
Ninguém prepara o jovem pra saber o que fazer quando bater na porta e ninguém atender.
Ninguém me dá a chave pra abrir a porta certa, mas a porta errada eu encontro sempre aberta!
Entrar numa roubada é mais fácil que sair.
Tem alguém aí? (...)
Tem alguém aí ou saiu pra viajar?
Tem alguém aí ou saiu pra passear?
Você tá viajando?
Quando é que você volta?
Onde você quer chegar?

Refrão

Eu sei que depende, mas se você depende da droga ela é a falsa rebeldia que te ajuda se enganar - a mentira que vicia - porque parece bem melhor do que a verdade do outro dia.
Falsa fantasia é a droga, que parece mais real do que esse mundo de hipocrisia que te afoga!
A droga é só mais uma ferramenta do sistema, que te envenena e te condena.
Overdose de veneno só te deixa pequeno!
Muito álcool, muito crack, muita coca!
A vida de sufoca!
E vai batendo a onda a onda bate a onda soca!
A onda bate forte!
Apressando a morte feito um trem.
Você sabe que ele vem, mas se amarra bem no trilho, suicida!
A doença tem cura pra quem procura.
Pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída.


Essa letra de música nos faz refletir e nos mostra o caminho da (in)consciência de um jovem que opta pelas drogas.
E nós pedagogos? Estamos dispostos a atender a porta?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Estímulo

Para estimular os outros deve-se primeiro estimular-se a si próprio.

Os alunos não se interessavam pelo que dizia o mestre porque ele próprio não estava interessado. A História o aborrecia, e ele deixava transparecer isso. Para estimular os outros, tornando-os entusiastas, você tem primeiro que se entusiasmar.

O professor entusiasta jamais tem que se preocupar com o desinteresse dos alunos.

Os resultados são proporcionais ao entusiasmo aplicado.

Para se tornar entusiasmado com alguma coisa que não lhe desperta interesse, aprenda mais sobre essa coisa.

Use a técnica de "aprofundar-se no assunto" para desenvolver o entusiasmo pelo seu aluno. Procure saber tudo o que puder a respeito dele - o que faz, qual é sua família, seu passado, suas idéias e suas ambições -e verá que seu interesse e entusiasmo por ele crescerão. Continue a escutá-lo e com certeza irá descobrir interesses comuns. Aprofunde-se mais ainda e, eventualmente, verá que se trata de uma pessoa fascinante.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quantos pés 1 milha?

Conta-se que, uma vez, perguntaram ao grande cientista Einstein quantos pés tinha 1 milha. "Não sei", respondeu ele. "E por que razão havia de encher minha cabeça com fatos que posso encontrar em dois minutos em qualquer livro especializado?" Nesta passagem, Einstein ensinou-nos uma grande lição. Ele sabia que era muito mais importante usar o cérebro para pensar, do que como um armazém de fatos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quem é você?

Um sistema falido – agora está claro como o cristal que não importa o prestígio da escola, o quanto ela seja bem equipada ou bem capacitada, ou o quanto force o aluno. Não interessa se o programa é da pré-escola ou de doutorado ou qualquer outro entre esses dois. A educação, como ela existe hoje, simplesmente não torna os alunos mais inteligentes. Não releva o potencial mental do aluno. Não aumenta o auto-conhecimento do estudante. A educação moderna é, para a maioria, um desfile de fatos fragmentados, muitas vezes irrelevantes e facilmente esquecidos, que não têm efeito nem uso positivo e duradouro.
A educação contemporânea usa a abordagem do halterofilista (ou viciados em trabalho) para torná-lo mais esperto – ler mais livros, memorizar mais fatos, ter mais pensamentos, pensamentos mais pesados, mais sofisticados, ter seus pensamentos desafiados e criticados, e ficar acordado até tarde durante todo o processo. É uma abordagem de fora para dentro – trata a mente dos estudantes como contêineres que precisam ser enchidos com informações.
Não funciona. Exercitar o cérebro não o torna mais inteligente.

Alguns estudos mostram que estudantes do ensino básico tornam-se menos criativos em conseqüência da sua escolaridade.

Apesar da meticulosidade da educação, eles se esqueceram de uma coisa. Eles se esqueceram do estudante. Eles se esqueceram do “conhecedor” – aquele que conhece o conhecimento. Quem é ele? O que é aquele que realmente faz o conhecimento?
O que vc sabe?
Eu sei termodinâmica nuclear!
Ótimo! Quem é que sabe termodinâmica nuclear?
Sou eu!!! Eu sei isso!!!
Quem é Eu?
Huum... Eu não sei.
Obviamente o seu próprio eu é a base para cada uma de suas experiências. Se vc não souber completamente quem é vc, se ignorar o seu próprio eu, então qualquer outro conhecimento que adquirir será construído sobre a base fraca da ignorância. O conhecimento baseado na ignorância não pode ser profundo ou eficiente. O conhecimento do seu próprio eu – conhecimento da completa totalidade ilimitada do seu próprio eu – é fundamental para qualquer conhecimento.


SUCESSO SEM ESFORÇO
Fred Gratzon
Editora Cultrix / 216 páginas

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Professor

A tabuada não basta. Como não bastam funções hiperbólicas, variáveis complexas, orações subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria, não bastam as teorias. O professor deve ensinar ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com liberdade.

Não basta falar das guerras, das batalhas, das conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias é pouco — necessário vencê-las. Não basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações algébricas não resolvem tudo, antes é preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas, o professor deve ensinar as verdades, e o melhor modo de encontrá-las.

Não basta falar de política, o professor tem que ser democrata. Deve olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é. Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica das emoções e o amor pelo raciocínio.

O professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas que o aluno tem no coração, e traz o tesouro pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue intenso brilhante.

Bom professor é aquele que não exige, não cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê. Não hesita quando avalia, não constrange quando examina. E nunca faz da nota uma espada.

O bom professor não só ensina, compreende. Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence. É sério — mas ri da própria seriedade. Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção que explode no seu peito quando ensina, como pétalas no riso de quem ama.

O professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia. Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa da confiança do aluno, não lhe invade o espaço, não procura condicioná-lo. Não cria relações de dependência, nem exerce dominação sádica sobre ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é só o conquistador de um novo mundo, que leva o aluno a ver mais — mais alto e mais longe.

Não levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência. Não o repreende, não o censura, não o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência na determinação do seu futuro. O velho dilema entre a caneta e a vassoura...

Como Sócrates, o bom professor não vê glórias no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta o que possa não saber. Brinca, tem confiança em si, e não faz da escola uma cela.

Moderno, convence o aluno a saltar os muros da tradição, porque a aventura está sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum. Transmite confiança, pega na mão, aplaude, incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia.

Não é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa. É um farol que não vela o que descobre. Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra, comprova, define.

Aranha em teia de luz, o professor não prende — liberta. Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali, ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço, amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da alma, o princípio da vida, o anel da esperança.

Considera o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser livre.

O professor é o amigo sincero que ajuda o aluno a superar os limites da vida, desbravando com determinação e ousadia essa fantástica região chamada Experiência.

Enfim — o professor é o Mestre.

Autor: Edson Marques

No livro SOLIDÃO À MIL.
Páginas 152-153