Recentemente em uma entrevista à revista Veja (13 de fevereiro, 2008), a secretária de Educação de São Paulo disse que o Brasil precisa livrar-se do corporativismo e dar incentivo a quem merece. Para isso será implantado um sistema segundo o qual as escolas passarão a ter metas acadêmicas no horizonte e receberão mais verbas caso consiga cumprí-las.
Os professores receberam a notícia insatisfeitos, pois "eles querem aumento de salário, mas dissociado do desempenho". Essa política da isonomia salarial ignora méritos e deméritos, ela deixa de jogar luz sobre os mais talentosos e esforçados e com isso, contribui para a acomodação de uma massa de profissionais numa zona de mediocridade.
A secretária critica as faculdades de pedagogia do país porque, segundo ela, se consagrou no Brasil um tipo de curso de pedagogia voltado para assuntos exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas e suas reais demandas, sendo este, um modelo equivocado. No dia-a-dia, os alunos de pedagogia se perdem em longas discussões sobre as grandes questões do universo e os maiores pensadores da humanidade, mas ignoram o básico sobre didática. As faculdades de educação estão muito preocupadas com o discurso ideológico sobre as míltiplas funções transformadoras do ensino, deixando em segundo plano evidências científicas sobre as práticas pedagógicas que de fato funcionam. Com isso, prestam o desserviço de divulgar e perprtuar antigos mitos - o de quanto maior o salário, melhor o ensino; e que quanto maior o número de alunos numa sala mais difícil de oferecer uma boa aula.
Os professores justificam as notas ruins dos alunos culpando a escola pública de ser carente de recursos e os professores ganharem mal, atribuindo tudo a fatores externos. Segundo essa mentalidade atrasada e comodista, a culpa pelo péssimodesempenho geral é invariavelmente do estado brasileiro, nunca dos próprios professores, muitos dos quais incapacitados de dar uma boa aula. A falta de professores preparados para desempenhar a função é, afinal, um mal crônico do sistema brasileiro. Sem desatar esse nó, não dá para pensar em bom ensino.
Diante desse impasse, acredito que os professores devam refletir sobre sua práxis e assumir a responsabilidade de mudança partindo de uma melhoria de sua própria prática, deixando transparecer, subjetivamente, seu interesse em primeiro SER um agente transformador, FAZER o melhor que pode e sabe, para TER como resultado desse esforço, alunos desenvolvidos, cidadãos, capacitados e conscientes de suas funções perante a vida e a sociedade e, consequentemente melhor remuneração.
Por isso, a PNL surge no campo da educação como uma alternativa acessível, eficiente e satisfatória. Deveria ser implantada como disciplina didática nas faculdades de pedagogia como auxílio às metodologias.
"A PNL é uma ferramenta educacional, não uma forma de terapia. Nós ensinamos às pessoas algumas coisas sobre como seus cérebros funcionam e elas usam esta informação para mudar." (Richard Bandler)
A Neurolingüística estuda o ser humano, estuda a excelência do ser humano no que quer que ele faça. Numa definição técnica, é o estudo da estrutura da experiência subjetiva do ser humano.
Em resumo, é como funcionamos dentro da nossa cabeça, como fazemos para ficarmos alegres, tristes, para nos decepcionarmos. É como fazemos para gostarmos de nós mesmos ou não. Enfim, como é que o ser humano funciona. A Neurolingüística ensina o ser humano a usar os recursos que ele tem em seu próprio benefício, para ser mais feliz, mais resolvido. Para ser um ponto de influência positiva no sistema no qual ele opera , que é a família, o trabalho, os amigos.
A Neurolingüística se utiliza de técnicas de Programação que foram desenvolvidas a partir da década de 70 por dois americanos , que resolveram partir da premissa de que qualquer terapeuta bom seria eficiente em qualquer linha em que atuasse. Então travaram conhecimento com os terapeutas de mais destaques em diversas áreas e passaram a estudá-los, observando o que faziam e o que dava certo. E aí começou a Programação Neurolingüística (PNL). Mas ela não deve ser considerada uma linha terapêutica. Pode ser usada desta forma, ou como um agregado de qualquer linha terapêutica. O melhor é que seja encarada como uma linha gerencial, de administração. Pode ser vista, também , como uma linha que estuda os relacionamentos, como auto- ajuda.
De que modo Neurolingüística pode auxiliar na educação dentro das escolas, das salas de aula?
Há dois aspectos principais no que se refere a educação. Um é o exemplo que o professor dá. O professor educa pelo exemplo. A outra é o conhecimento que ele passa através da comunicação com os alunos. Então a PNL pode ser usada nesses dois aspectos: para ajudar o professor a ser uma pessoa mais integra, mais resolvida. Vai ainda ajudar o professor a se comunicar com os alunos de uma forma melhor. E aqui podemos abrir um novo leque. Se o estudante tem dificuldade de aprendizagem, a PNL pode ajudar o professor a entender melhor qual é o problema que está acontecendo na cabeça do aluno, que o leva a não aprender direito determinada matéria. Isso usando técnicas que, no momento de serem aplicadas, não vão parecer técnicas, mas simplesmente, uma conversa ou coisa do gênero, em que o aluno se integre mais aquele conhecimento. Isto é, aceite melhor aquele conhecimento para que elimine as resistências e passe a gostar mais do que está fazendo.
A Neurolingüística pode explicar por que é que alguns alunos vão mal na escola?
Há ai diversos aspectos a serem considerados. Um deles é a maneira como o professor ministra a aula, ás vezes, não se encaixa com a maneira que o aluno usa para compreender a informação. Muitas vezes ele é bom aluno em Matemática num ano e, no ano seguinte, passa a ser um mau aluno na mesma matéria. Isso provavelmente é fonte da mudança de professor que, embora possa até ser um bom profissional, não está passando a informação do jeito que determinada pessoa possa entender adequadamente. Certamente , isso pode ser também um sinal de algum desequilíbrio na criança, ou gerado pela escola, ou gerado pela família, principalmente, que é onde mais acontece. Então a atitude dos pais influencia muito na qualidade da percepção do ensino que o aluno vai ter. Existem outros. Mas esses são os dois principais fatores.
No que se diz respeito ao professor, o mau resultado do aluno pode estar associado á forma como o professor se comunica?
Isso, a forma como ele se comunica, verbal e não verbal. A qualidade da relação dele com os alunos tem a ver com isso. Às vezes, o professor é um excelente profissional, mas tem uma relação pobre com os estudantes, em termos da empatia com seus alunos. O professor ideal, eu diria, é aquele que tem empatia, que sabe ensinar e que sabe aprender com os alunos . E, parte disto, a PNL pode ensinar ao professor.
Como se dá o processo de aprendizagem no indivíduo?
A Neurolingüística propõe uma teoria sobre a aprendizagem que leva em conta o fato de que o ser humano não vive no mundo que o cerca, mas na representação desse mundo. É o que ele vê, o que ouve e o que sente.
Segundo essa teoria, o ser humano recebe e processa as informações, sendo que algumas variáveis interferem nesse processamento. Uma vez que processa as informações, ele monta uma representação daquilo que viu ou ouviu e é com base nessa representação que age.
São muitos os fatores que influenciam o processo , a começar pelos objetivos que cada um tem. Segundo a Neurolingüística, o sistema de crença e de valores que a pessoa tem, e que é desenvolvido na criança basicamente até os sete anos, influi muito na forma como o ser humano processa as informações que recebe.
O mapa que a pessoa faz sobre mundo externo é formado com informações visuais, auditivas e sentimento das sensações, chamado de cinestésico. Ninguém é visual, é auditivo ou é cinestésico. É a soma dos três. Eventualmente, pelo meio em que viveu ou pela educação que recebeu, desenvolve mais um que outro . Mas pode se funcionar visualmente agora, dentro de dez segundos, mudar e vir a funcionar de modo mais cinestésico.
Explicando melhor, segundo a Neurolingüística, funcionar visualmente, por exemplo, é prestar mais atenção na parte visual da experiência que se vive em determinado momento, da experiência interna, principalmente, e isto acarreta diversos reflexos. As palavras que serão utilizadas para exprimir tal experiência vão refletir esse funcionamento visual. Nesse caso, ou em qualquer dos outros sistemas, existe uma parte do cérebro que fica mais irrigada e se aquece mais.
Então, se o indivíduo está funcionando mais visualmente, ele tende a usar mais palavras como "fotografia" , "ponto de vista", "nitidez", "é claro que estou certo", "a vida é colorida", etc. Se ele está funcionando mais auditivamente, tende a usar palavras como ritmo, gravidade, resposta, que são palavras auditivas. Se está funcionando mais de modo cinestésico, ele tende a usar palavras como " sentir, choque e impacto". Há também as palavras chamadas de inespecíficas, como a palavra pensar, que são utilizadas como coringas, que permitem que tanto quem fala como quem ouve utilize o sistema que mais for adequado naquele momento.
Enfim, a PNL é uma ótima "ferramenta" para o professor que quer "fazer a diferença".