segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Os dez passos para a aprendizagem integral

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1 - Se alguém já fez, você também pode fazer. Se ninguém ainda fez, você pode ser o primeiro a fazer. Santos Dumont pensava exatamente assim. É esta forma de pensar que distingue o gênio das pessoas comuns.

2 - Jamais diga "vou estudar"; diga simplesmente "vou aprender". Esta simples mudança de afirmação vai provocar uma revolução fantástica no seu cérebro.

3 - Se está difícil aprender alguma coisa, relaxe. Não esquente a cabeça. Creia que você pode aprender tudo o que quiser porque o seu cérebro foi concebido para que você aprenda tudo. E naturalmente. Portanto, relaxe e divirta-se, porque logo você vai aprender.

4 - Nem todas as verdades são explicadas pela razão. Há verdades que pertencem ao mundo da imaginação e outras que pertencem ao mundo da fé. No entanto, todas são verdades. Jamais esqueça disso antes de chamar alguém de ignorante.

5 - Tudo vai acontecer se você acreditar firmemente que vai acontecer. Assim pensava Thomas Edison. Assim pensava o Mahatma Gandhi.

6 - A imaginação é a fonte da criatividade. E a ousadia, a fonte das realizações. Portanto, o grande segredo é...sonhar e tentar. E quanto mais, melhor.

7 - Uma mentira - como dizia Mario Quintana - é só uma verdade que esqueceu de acontecer. Todavia, "se você repetir insistentemente essa mentira ela acabará transformando-se numa verdade". E isto, quem disse foi Maquiavel.

8 - Só os gênios, os santos e os rebeldes dignificam a raça humana. E, destas três condições - genialidade, santidade e rebeldia - uma você pode "disparar" agora, neste momento: a rebeldia. Como? É simples: indignando-se profundamente contra a injustiça, contra a tirania e contra todos os atos que reduzem - principalmente os pobres - à condição de sub-raça humana.

Nota: Se você não se indignar profundamente com esta foto, se não sentir uma forte repulsa contra a covardia dos poderosos que permitem - e até promovem - cenas como esta, que reduzem a condição humana ao nível mais miserável da existência, por favor, saia desta página, porque nada do que está aqui escrito terá o menor sentido na sua vida.




9 - O Universo está pronto. Todas as leis já foram criadas e todas as regras já foram definidas. O que lhe cabe fazer é tão-somente descobri-las, sem jamais esquecer que todas as leis e todas as regras foram colocadas à disposição de toda a humanidade. Elas não foram definidas na Criação para servir a um só homem ou a uma só nação. Elas são propriedades de toda a humanidade.

10 - Pode ser que você nunca se torne um gênio, mas isso não vai fazer a menor diferença; você vai continuar sendo dono da sua vida e poderá desfrutá-la ao máximo. Você poderá amar bastante pois que para amar não é preciso ser gênio. E, se quiser, poderá dignificar a sua condição de ser humano sendo generoso e solidário, porque a humanidade precisa muito mais de solidariedade do que de genialidade, precisa mais de fraternidade do que de inteligência, precisa mais de afeto do que de luz. Agindo assim, no fim da vida você sentirá a incrível sensação de que viveu, foi feliz, fez, participou, colaborou, enfim, cumpriu sua missão de forma genial. Pra que mais, não é mesmo?


Extraido do site Projeto Saber

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Base do Conhecimento...

O conhecimento de si mesmo.

A maioria das pessoas não está consciente da existência e da importância do subconsciente, mas são afetados por ele de qualquer forma.
Quando vc começa a entender as bases do seu mundo vc entende tudo sobre sua própria experiência e tb das experiências que acontecem ao seu redor.

UMA FÓRMULA SIMPLES LHE DÁ RESULTADOS CONSISTENTES

É como aprender as bases da matemática. Vc terá a fórmula p entender seu mundo, q agora está consistente e proporcionará resultados consistentes p vc.
Estará apto a entender suas experiências passadas e não se sentirá mais como uma vítima.
Vc entenderá o controle q vc tem sobre sua própria experiência de vida e será capaz de centrar sua atenção em seus próprios objetivos, identificando seus próprios desejos pessoais.


Seus pensamentos conduzem a sentimentos,
seus sentimentos conduzem à ações,
suas ações conduzem a resultados.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Educação: Um Projeto Maquiavélico...

...em favor das elites.




Antônio da Costa Neto

Estamos em pleno Séc. XXI e algumas coisas permanecem arraigadas no atraso conceitual, metodológico, filosófico, dentre outros. Aí incluindo, os processos pedagógicos, as suas teorias e práticas, a gestão das escolas, enfim, o projeto de educação formal das pessoas.

Faz-se mais que urgente e necessário repensar com profundidade a tônica do papel das escolas, os serviços e desserviços que prestam. Suas lacunas e fragilidades - algumas muito graves - se, de fato, pretendemos superar a crise endêmica que assola o planeta e possamos ter uma qualidade de vida, no mínimo digna para todos. Sem dúvida, um dos poucos caminhos que ainda nos restam para a superação dos grandes males do mundo a que todos nos achamos expostos.


Sempre trabalhei com educação e sou um apaixonado pela sua causa. Mas paradoxalmente sempre fui também um crítico veemente das escolas, suas ações, seu cinismo histórico doentio. O teor da violência simbólica que elas carregam, praticam e cometem com isto um crime imenso e silencioso contra a humanidade, com uma preocupação absolutamente insensível de se perpetuar o poder do capitalismo - notadamente o internacional - e com ele, todas as formas iníquas de exploração das pessoas e da natureza. Gerando, com isto o grande caos, as crises, os horrores que as sociedades contemporâneas atravessam.

Acredito que quase todos nós estamos insatisfeitos com as múltiplas realidades que nos cercam. Somos a cada dia mais pobres, preocupados com o futuro de todos e, principalmente, o das gerações mais jovens. Muito nos incomoda a tirania do mundo moderno, a iniqüidade da economia e do mercado de trabalho, a violência urbana, o aquecimento global do planeta as endemias primárias - entre elas a febre amarela (?), etc.


Mas continuamos, inexplicavelmente, educando as pessoas para que elas possam dar continuidade a tudo isto. E persistimos a reclamar, a reproduzir o modelo, a termos os mesmos resultados que culminam com a infelicidade, os conflitos sociais, a morte precoce e antinatural. E tudo isto me incomoda muito, tanto que venho dedicando anos de estudos, pesquisas e publicações neste sentido, como algumas das conclusões que venho colocar a público por meio deste pequeno ensaio.

Bordieu & Passeron são dois autores clássicos importantes que vêm nos alertar sobre a escola como o mais importante aparelho ideológico a serviço do Estado opressor. Ou seja, para que a sociedade da exploração e do consumo funcione, é preciso que tenhamos cidadãos incautos, inocentes úteis e desinformados que forneçam sua força de trabalho, se disponham consciente ou inconscientemente a serem profundamente explorados e que, por fim, paguem e proporcionem o maior lucro possível aos detentores do capital produtivo, num círculo vicioso de mais exploração, mais consumo e mais lucro, e, por conseguinte, com mais miséria, mais desgraças, mais destruição.


Ora, o indivíduo que se expõe tão facilmente a este tipo de conduta horrenda e socialmente criminosa precisa ser suficientemente alienado e alijado politicamente de qualquer posicionamento crítico para fazê-lo. Cabe, portanto, às escolas a sublime tarefa de formar - conformar e deformar - as massas inteiras em relação aos potenciais construtores desta sociedade que, por sua vez, garantirá o pleno bem-estar dos seus mandantes, por meio da exploração contínua e gradual dos ditos subordinados, do povo, das classes populares, dos trabalhadores, entre os quais se incluem os profissionais da educação, que, em última análise, trabalham ideologicamente contra eles mesmos.

É preciso que saibam disto, embora doa. No entanto, a saída possível começa com o conhecimento e a aceitação desta dura realidade, o que, a princípio, os educadores têm a maior dificuldade. O que já faz parte do projeto maquiavélico de se usar a educação para a garantia dos interesses da perversidade dos modelos econômicos e sociais, qualificando sempre as pessoas no sentido de se facilitar o processo de uso e de exploração das mesmas. Isso se inicia com a própria formação dos educadores. As faculdades de educação, sempre na extrema retaguarda das universidades - para não falarmos na brutal falta de qualidade e responsabilidade acadêmica da grande maioria das instituições isoladas - fazem de tudo para aniquilar o futuro educador de qualquer visão crítica. Nos seus currículos é proibido falar em economia, inflação, ideologia, mecanismos internacionais, corrupção, crises, exploração do homem pelo homem; para que a crítica seja brutalmente assassinada antes que invada os calabouços horrendos das nossas escolas de todos os níveis, transformando-as em substrato inconsciente da alienação social das massas por meio dos conteúdos que ensinam, das táticas que usam, do policiamento que exercem.


Os pedagogos, os orientadores educacionais por exemplo, são formados para atuarem como autênticos cães-de-guarda farejadores dos interesses burgueses dentro das instituições educacionais. Basta que uma mínima prática ensaie a fugir destes, que começam a latir e rosnar grosso pelos corredores e gabinetes prontos para estilhaçarem qualquer educador que se atreva a fazê-lo.

Os cursos de licenciatura são outra vergonha deslavada, formando sempre pseudo-profissionais subservientes aos regimes e domínios da exploração social. Sendo notória a transformação da performance entre o calouro e o formando que perde ao longo de seu "curso" toda a sensibilidade, a disposição crítica, a autonomia, a flexibilidade. Produzindo a grande massa dos professores incautos e inocentes politicamente que, infelizmente aí temos.

Por que nas aulas ainda é exigida a tradicional e enfadonha chamada dos alunos? Ora, porque se trata de um momento tão cru, frio e desinteressante que só mesmo a coerção da chamada pode garantir a presença dos alunos. Aliás, o modelo aula/prova, num processo de controle policialesco à imposição de um saber balizado pelo interesse capitalista já foi superado há décadas, e, no entanto, continua aí firme e forte, segregando a teoria da prática, a indução da dedução. Criando forças antagônicas entre o saber, a ludicidade, a vida.

Daí a grande resistência dos alunos que querem tudo, menos ir para a escola. E ela é a grande responsável por isso. Deveria ser motivadora, interessante, convidativa, agradável e não, este "café requentado da pior qualidade" como muito sabiamente brinca o Prof. Pedro Demo em um dos seus inúmeros escritos. Mas é impossível fazer isto sem formar a consciência crítica, a percepção aguçada dos fenômenos, o teor da iniciativa; valores, é claro, inúteis à exploração da pessoa, morando aí o grande dificultador de uma educação de real qualidade que, na maioria das vezes, os educadores já acreditam que fazem. Ignorando por concreto a imensa distância que estão deste projeto que ainda está por vir.


Em síntese, a escola ensina aos seus alunos muito pouco do que realmente lhes interessa para viverem, fazerem suas conquistas, construírem sua felicidade, que é o que de fato interessa a todo o ser humano. Ela se utiliza de uma metodologia que mais confina o pensamento da pessoa fazendo dela um autêntico retrógrado aos interesses, motivações e impulsos do mundo e da vida moderna. Não avalia, mas pune o diferente, o criativo, o líder, o capaz. As escolas, tal como estão, estragam as pessoas, limitam suas capacidades, reduzem o seu potencial, transformando-as em pura massa de manobra. E ainda chamam isto de educação.


Há também uma política recessiva de não-valorização do educador e dos profissionais da área. O que é estratégico. E faz parte de um esforço brutal para que o famigerado fracasso da educação seja, de fato, um sucesso para os detentores do poder. Por isso, paga-se mal para que se ensine mal. Para que o magistério seja uma profissão de senhoritas caprichosas ou de senhoras "bem casadas" que não dependam do seu dinheiro para viver, para pagar suas contas. Assim, o Estado opressor atinge seu duplo objetivo: o de gastar menos com a educação para que sobre mais dinheiro para a compra de badulaques para as madames do seu circuito, tendo, em contrapartida gente desmotivada para ensinar bem. Perpetuando a alienação das massas com que se aprazem os governantes, os grandes empresários, os donos do poder. Precisamos, portanto, reconstituir todo o paradigma da educação e da escola, construindo e compartilhando normas e regras, elaborando conjuntamente novos, ricos e diversificados conhecimentos que dêem as respostas realmente necessárias a uma vida digna e de melhor qualidade para todos. Que ajudem a descentralizar o poder e a riqueza, que dêem a todos voz e vez na construção do mundo com o qual, com certeza, quase todos sonhamos.


Devemos, por exemplo, substituir a enfadonha e tediosa chamada nominal dos alunos por atividades ricas, lúdicas, interessantes, convidativas que, por si, já garantam a freqüência e a pontualidade. Trocar a obrigatorieadade do uso do uniforme pelo bom senso estético em saber o que, como se vestir; respeitar o outro, as suas condições econômicas, individualidade, autonomia. Não chamar mais ninguém de tio ou tia, senhor ou senhora, mas respeitosamente, por você e pelo próprio nome, horizontalizando a democracia e propiciando mais liberdade em termos psicológicos. Descentralizar o poder, difersificar os ambientes, os processos, os métodos. Cativar, amar, contextualizar o lúdico. Promover, e não, punir. Educar para a vida, ao invés de induzir para a exploração, o uso, o abuso, o lucro.

Precisamos enxergar com olhos críticos a essência do papel das escolas. Sentir a palpável dualidade dos pequenos serviços e dos infinitos desserviços que prestam. Os irremediáveis estragos que cometem. Evitar, daqui para a frente, as profundas desgraças que têm ajudado a constituir, estando ainda hoje, muito longe de saberem disto.


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tem Alguém Aí?


Gabriel O Pensador

Antes era só alegria, o mundo não mordia.
A vida era doce, nem ardia!
Mas aí um dia, ou quem sabe dois ou três, eu... só queria superar a timidez...
Eu queria fazer parte de alguma coisa.
Se crescer já é difícil, crescer sozinho é mais.
A gente tem que dar um jeito de gostar de alguma coisa.
A gente tem que dar um jeito... de ficar satisfeito!
Mas o tempo passa, e se a vida é sem graça, a gente disfarça, na mesa do jantar.
Pra depois tentar desabafar numa conversa, mas ninguém se interessa, na mesa do bar!

Ninguém tá escutando o que eu quero dizer!
Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar!
Ninguém tá explicando o que eu quero entender!
Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar!

Conversa vazia, cabeça vazia de prazer, cheia de dúvida e de vontade de fazer qualquer loucura que pareça aventura.
Qualquer experiência que altere o estado de consciência.
E que te dê a sensação de que você não tá perdido.
Que alguém te dá ouvidos. Que a vida faz sentido!
Chega! Não, eu quero mais!
Bebe, fuma, cheira, tanto faz.
Droga é aquela substância responsável por tornar a sua vida aparentemente mais suportável.
Confortável ilusão: parece liberdade e na verdade é uma prisão.

Refrão

Ninguém prepara o jovem, nem os pais nem a TV, pra botar o pé na estrada e não se perder.
Ninguém prepara o jovem pra saber o que fazer quando bater na porta e ninguém atender.
Ninguém me dá a chave pra abrir a porta certa, mas a porta errada eu encontro sempre aberta!
Entrar numa roubada é mais fácil que sair.
Tem alguém aí? (...)
Tem alguém aí ou saiu pra viajar?
Tem alguém aí ou saiu pra passear?
Você tá viajando?
Quando é que você volta?
Onde você quer chegar?

Refrão

Eu sei que depende, mas se você depende da droga ela é a falsa rebeldia que te ajuda se enganar - a mentira que vicia - porque parece bem melhor do que a verdade do outro dia.
Falsa fantasia é a droga, que parece mais real do que esse mundo de hipocrisia que te afoga!
A droga é só mais uma ferramenta do sistema, que te envenena e te condena.
Overdose de veneno só te deixa pequeno!
Muito álcool, muito crack, muita coca!
A vida de sufoca!
E vai batendo a onda a onda bate a onda soca!
A onda bate forte!
Apressando a morte feito um trem.
Você sabe que ele vem, mas se amarra bem no trilho, suicida!
A doença tem cura pra quem procura.
Pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída.


Essa letra de música nos faz refletir e nos mostra o caminho da (in)consciência de um jovem que opta pelas drogas.
E nós pedagogos? Estamos dispostos a atender a porta?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Estímulo

Para estimular os outros deve-se primeiro estimular-se a si próprio.

Os alunos não se interessavam pelo que dizia o mestre porque ele próprio não estava interessado. A História o aborrecia, e ele deixava transparecer isso. Para estimular os outros, tornando-os entusiastas, você tem primeiro que se entusiasmar.

O professor entusiasta jamais tem que se preocupar com o desinteresse dos alunos.

Os resultados são proporcionais ao entusiasmo aplicado.

Para se tornar entusiasmado com alguma coisa que não lhe desperta interesse, aprenda mais sobre essa coisa.

Use a técnica de "aprofundar-se no assunto" para desenvolver o entusiasmo pelo seu aluno. Procure saber tudo o que puder a respeito dele - o que faz, qual é sua família, seu passado, suas idéias e suas ambições -e verá que seu interesse e entusiasmo por ele crescerão. Continue a escutá-lo e com certeza irá descobrir interesses comuns. Aprofunde-se mais ainda e, eventualmente, verá que se trata de uma pessoa fascinante.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quantos pés 1 milha?

Conta-se que, uma vez, perguntaram ao grande cientista Einstein quantos pés tinha 1 milha. "Não sei", respondeu ele. "E por que razão havia de encher minha cabeça com fatos que posso encontrar em dois minutos em qualquer livro especializado?" Nesta passagem, Einstein ensinou-nos uma grande lição. Ele sabia que era muito mais importante usar o cérebro para pensar, do que como um armazém de fatos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quem é você?

Um sistema falido – agora está claro como o cristal que não importa o prestígio da escola, o quanto ela seja bem equipada ou bem capacitada, ou o quanto force o aluno. Não interessa se o programa é da pré-escola ou de doutorado ou qualquer outro entre esses dois. A educação, como ela existe hoje, simplesmente não torna os alunos mais inteligentes. Não releva o potencial mental do aluno. Não aumenta o auto-conhecimento do estudante. A educação moderna é, para a maioria, um desfile de fatos fragmentados, muitas vezes irrelevantes e facilmente esquecidos, que não têm efeito nem uso positivo e duradouro.
A educação contemporânea usa a abordagem do halterofilista (ou viciados em trabalho) para torná-lo mais esperto – ler mais livros, memorizar mais fatos, ter mais pensamentos, pensamentos mais pesados, mais sofisticados, ter seus pensamentos desafiados e criticados, e ficar acordado até tarde durante todo o processo. É uma abordagem de fora para dentro – trata a mente dos estudantes como contêineres que precisam ser enchidos com informações.
Não funciona. Exercitar o cérebro não o torna mais inteligente.

Alguns estudos mostram que estudantes do ensino básico tornam-se menos criativos em conseqüência da sua escolaridade.

Apesar da meticulosidade da educação, eles se esqueceram de uma coisa. Eles se esqueceram do estudante. Eles se esqueceram do “conhecedor” – aquele que conhece o conhecimento. Quem é ele? O que é aquele que realmente faz o conhecimento?
O que vc sabe?
Eu sei termodinâmica nuclear!
Ótimo! Quem é que sabe termodinâmica nuclear?
Sou eu!!! Eu sei isso!!!
Quem é Eu?
Huum... Eu não sei.
Obviamente o seu próprio eu é a base para cada uma de suas experiências. Se vc não souber completamente quem é vc, se ignorar o seu próprio eu, então qualquer outro conhecimento que adquirir será construído sobre a base fraca da ignorância. O conhecimento baseado na ignorância não pode ser profundo ou eficiente. O conhecimento do seu próprio eu – conhecimento da completa totalidade ilimitada do seu próprio eu – é fundamental para qualquer conhecimento.


SUCESSO SEM ESFORÇO
Fred Gratzon
Editora Cultrix / 216 páginas

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Professor

A tabuada não basta. Como não bastam funções hiperbólicas, variáveis complexas, orações subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria, não bastam as teorias. O professor deve ensinar ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com liberdade.

Não basta falar das guerras, das batalhas, das conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias é pouco — necessário vencê-las. Não basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações algébricas não resolvem tudo, antes é preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas, o professor deve ensinar as verdades, e o melhor modo de encontrá-las.

Não basta falar de política, o professor tem que ser democrata. Deve olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é. Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica das emoções e o amor pelo raciocínio.

O professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas que o aluno tem no coração, e traz o tesouro pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue intenso brilhante.

Bom professor é aquele que não exige, não cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê. Não hesita quando avalia, não constrange quando examina. E nunca faz da nota uma espada.

O bom professor não só ensina, compreende. Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence. É sério — mas ri da própria seriedade. Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção que explode no seu peito quando ensina, como pétalas no riso de quem ama.

O professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia. Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa da confiança do aluno, não lhe invade o espaço, não procura condicioná-lo. Não cria relações de dependência, nem exerce dominação sádica sobre ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é só o conquistador de um novo mundo, que leva o aluno a ver mais — mais alto e mais longe.

Não levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência. Não o repreende, não o censura, não o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência na determinação do seu futuro. O velho dilema entre a caneta e a vassoura...

Como Sócrates, o bom professor não vê glórias no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta o que possa não saber. Brinca, tem confiança em si, e não faz da escola uma cela.

Moderno, convence o aluno a saltar os muros da tradição, porque a aventura está sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum. Transmite confiança, pega na mão, aplaude, incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia.

Não é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa. É um farol que não vela o que descobre. Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra, comprova, define.

Aranha em teia de luz, o professor não prende — liberta. Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali, ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço, amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da alma, o princípio da vida, o anel da esperança.

Considera o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser livre.

O professor é o amigo sincero que ajuda o aluno a superar os limites da vida, desbravando com determinação e ousadia essa fantástica região chamada Experiência.

Enfim — o professor é o Mestre.

Autor: Edson Marques

No livro SOLIDÃO À MIL.
Páginas 152-153

sábado, 14 de junho de 2008

Carl Rogers: um psicólogo em defesa do aluno

Para o fundador da terapia não-diretiva, a tarefa do professor é liberar o caminho para que o estudante aprenda o que quiser.

A idéias do norte-americano Carl Rogers (1902-1987) para a educação são uma extensão da teoria que desenvolveu como psicólogo. Nos dois campos sua contribuição foi muito original, opondo-se às concepções e práticas dominantes nos consultórios e nas escolas. A terapia rogeriana se define como não-diretiva e centrada no cliente (palavra que Rogers preferia a paciente), porque cabe a ele a responsabilidade pela condução e pelo sucesso do tratamento. Para Rogers, o terapeuta apenas facilita o processo. Em seu ideal de ensino, o papel do professor se assemelha ao do terapeuta e o do aluno, ao do cliente. Isso quer dizer que a tarefa do professor é facilitar o aprendizado, que o aluno conduz a seu modo.

A teoria rogeriana — que tem como característica um extenso repertório de expressões próprias — surgiu como uma terceira via entre os dois campos predominantes da psicologia em meados do século 20. De um lado havia a psicanálise, criada por Sigmund Freud (1856-1939), com sua prática balizada pela ortodoxia, e o behaviorismo, que na época tinha B. F. Skinner (1904-1990) como expoente e se caracteriza pela submissão à biologia. A corrente de Rogers ficou conhecida como humanista, porque, em acentuado contraste com a teoria freudiana, ela se baseia numa visão otimista do homem.

Para Rogers, a sanidade mental e o desenvolvimento pleno das potencialidades pessoais são tendências naturais da evolução humana. Removidos eventuais obstáculos nesse processo, as pessoas retomam a progressão construtiva. "Ele chamou a atenção para a formação da pessoa, a importância de viver em busca de uma harmonia consigo mesmo e com o entorno social", diz Ana Gracinda Queluz, pró-reitora adjunta de pesquisa e pós-graduação da Univesidade Cidade de São Paulo (Unicid).
Rogers sustentava que o organismo humano — assim como todos os outros, incluindo o das plantas — possui uma tendência à atualização, que tem como fim a autonomia. Na teoria rogeriana, essa é a única força motriz dos seres vivos. No caso particular dos seres humanos, segundo Rogers, o processo constante de atualização gerou a sociedade e a cultura, que se tornam forças independentes dos indivíduos e podem trabalhar contra o desenvolvimento de suas potencialidades.

O saudável é natural.

Uma crença básica de Rogers é que o organismo humano sabe o que é melhor para ele e para isso conta com sentidos aprimorados ao longo da evolução da espécie. Tato, olfato e paladar reconhecem como prazeroso (sabor e cheiro agradáveis, por exemplo) o que é saudável. Igualmente, nossos instintos estão prontos a valorizar a "consideração positiva", conceito rogeriano que engloba atitudes como cuidado, carinho, atenção etc.

Até aqui, tudo bem — as pessoas sabem o que é bom para elas e podem encontrar aquilo de que necessitam na natureza e na família. O problema, segundo Rogers, é que a sociedade e a cultura desenvolvem mecanismos que contrariam essas relações potencialmente harmoniosas. Entre os mais nocivos está a "valorização condicional", o hábito que a família, a escola e outras instituições sociais têm de apenas atender as necessidades do indivíduo se ele se provar merecedor. Decorrem disso a "consideração positiva condicional" — cujo exemplo típico é o carinho dos pais dado como recompensa por bom comportamento — e a "autoconsideração positiva condicional" — originada pela tendência que as pessoas têm a absorver os valores culturais e utilizá-los como parâmetro para a valorização de si mesmas.

Funcionalidade plena.

Do conflito entre o indivíduo ("sou") e o que se exige dele ("devo ser") nasce o que Rogers chama de incongruência, que gera sofrimento. Este é o processo que, para ele, define neurose. Ao se ver pressionada a corresponder às expectativas sociais, a pessoa se vê numa situação de ameaça, o que a leva a desenvolver defesas psicológicas.

Diante disso, o objetivo do terapeuta e do professor é permitir que seus clientes e alunos se tornem pessoas "plenamente funcionais", ou seja, saudáveis. As principais marcas desse estado de funcionalidade são a abertura a novas experiências, capacidade de viver o aqui e o agora, confiança nos próprios desejos e intuições, liberdade e responsabilidade de agir e disponibilidade para criar.

Já que se tornar uma pessoa saudável é, basicamente, uma questão de ouvir a si mesmo e satisfazer os próprios desejos (ou interesses), as melhores qualidades de um terapeuta ou de um professor são saber facilitar esses processos e interferir o menos possível. É esse o significado do termo "não diretivo", a marca registrada do rogerianismo. Para que o terapeuta ou o professor seja capaz de exercer tal papel, três qualidades são requeridas: congruência — ser autêntico com o cliente/aluno; empatia — compreender seus sentimentos; e respeito — "consideração positiva incondicional", no jargão rogeriano. "O difícil na teoria rogeriana é mudar a postura diante do outro e não se surpreender com o que é humano", diz Ana Gracinda. Em grande parte, para Rogers, a chave do ensino produtivo é uma questão de ética.

O mais importante é a relação aluno-professor.

No campo da educação, Carl Rogers pouco se preocupou em definir práticas. Chegou a afirmar que "os resultados do ensino ou não têm importância ou são perniciosos". Acreditava ser impossível comunicar diretamente a outra pessoa o conhecimento que realmente importa e que ele definiu como "a verdade que foi captada e assimilada pela experiência pessoal". Além disso, Rogers estava convencido de que as pessoas só aprendem aquilo de que necessitam ou o que querem aprender. Sua atenção recai sobre a relação aluno-professor, que deve ser impregnada de confiança e destituída de noções de hierarquia. Instituições como avaliação, recompensa e punição estão completamente excluídas, exceto na forma de auto-avaliação. Embora anticonvencional, a pedagogia rogeriana não significa abandonar os alunos a si mesmos, mas dar apoio para que caminhem sozinhos.

Teoria adequada a um tempo de contestação.

Nascido no meio rural, Carl Rogers foi marcado por toda a vida pela idéia da natureza e pelo fenômeno do crescimento — o objetivo de sua terapia era crescimento pessoal e não uma idéia estática de maturidade emocional —, o que o levou a se aprofundar no estudo da obra do educador e filósofo norte-americano John Dewey (1859-1952). Como alguém cujo tempo de vida quase coincidiu com o século 20, Rogers teve a possibilidade de testemunhar o surgimento de várias correntes psicológicas e a disseminação da psicoterapia — um conhecimento indispensável para que, por oposição, ele criasse a sua própria corrente. O aspecto marcadamente antiautoritário e anticonvencional de seu pensamento o tornou muito atraente nos anos 1960, durante o auge da contracultura, representada em parte pelo movimento hippie. No Brasil, a influência de Rogers também se deu por essa época, em particular na formação de orientadores educacionais. "Os orientadores agiam em grande parte como mediadores de conflito e o conhecimento de Rogers permitia que eles pudessem exercer a função sem punições, mas também sem fechar os olhos para os problemas", diz a educadora Ana Gracinda Queluz.


Biografia.

Carl Ransom Rogers nasceu em Oak Park, perto de Chicago, em 1902. Teve uma infância isolada e uma educação fortemente marcada pela religião. Tornou-se pastor e encaminhou os estudos para a teologia, quando começou a se interessar por psicologia. Na nova carreira, o primeiro foco de trabalho foram crianças submetidas a abusos e maus-tratos. Por essa época começou, por observação, a desenvolver suas teorias sobre personalidade e prática terapêutica. Aos 40 anos publicou o primeiro livro. Seguiram-se mais de cem publicações destinadas a divulgar suas idéias, que ganharam seguidores em todo o mundo. Rogers quis provocar uma ruptura na psicologia, dando a condução do tratamento ao cliente, e não temeu acusar de autoritários a maioria dos métodos hegemônicos na área.

O pilar da terapia rogeriana são os "grupos de encontro", em que vários clientes interagem. Rogers foi um dos primeiros a gravar e filmar as sessões de terapia. Morreu de um ataque cardíaco em 1987, em San Diego, Califórnia.

"Toda a nossa cultura procura insistentemente manter os jovens afastados do contato com os problemas reais. Será possível inverter essa tendência?"

Para pensar.

"A única coisa que se aprende e realmente faz diferença no comportamento da pessoa que aprende é a descoberta de si mesmo".

Uma crítica que se costuma fazer à influência de Rogers na educação é que suas idéias incentivam uma liberdade sem limites, permitindo que os alunos façam o que querem, levando à indisciplina e ao individualismo. Outra objeção comum, desta vez no campo teórico, é que Rogers via os seres humanos com excessiva benevolência, sem levar em consideração possíveis impulsos inatos para a agressividade, a competição ou a autodestruição. Baseado em sua experiência em sala de aula, qual é sua opinião? É possível fundamentar a prática pedagógica na idéia de que todo aluno tem tendência natural ao aprendizado e a relações interpessoais construtivas?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

SÓCRATES...

O mestre que desafiou o homem a se conhecer


Para o pensador grego, só voltando-se para si mesmo o homem chega à sabedoria e se realiza como pessoa.

O pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego “trazer a filosofia do céu para a terra” e concentrá-la no homem e sua alma, a psique. A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Nessa empreitada de colocar a filosofia a serviço da formação do homem, Sócrates não estava sozinho. Pensadores sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens um saber enciclopédico e desenvolver sua eloqüência, que era a principal habilidade esperada de um político.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a estas status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-332 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.

O diálogo como estratégia de ensino

Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão “andar por aí (ruas, praças e ginásios, as escolas atenienses de atletismo), persuadindo novos e velhos a não se preocuparem tanto, nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma”.

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores – o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto escrito. Suas idéias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que conviveram com ele. Sócrates se fazia acompanhar freqüentemente por jovens, alguns pertencentes às mais ilustres e ricas famílias de Atenas.

O método socrático

Sócrates comparava sua função com a profissão de sua mãe, parteira – que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente. “O diálogo socrático tinha dois momentos”, diz Carlos Roberto Jamil Cury, professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O primeiro corresponderia às “dores do parto”, momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorância para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade – chegar a ela constituía a segunda parte do processo. Aí, ocorria o “parto das idéias”, momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia “polindo” as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações sucessivas. O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico. Já para a educação do espírito, Sócrates colocava em segundo plano os estudos científicos, por considerar que se baseavam em princípios mutáveis. Inspirado no aforismo “conhece-te a ti mesmo”, do templo de Delfos, julgava mais importantes os princípios universais, porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas.

O conhecimento leva à prática da virtude


Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos os demais, se não tiver autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em um tema central da ética e da filosofia moral. Também se formou aí o conceito de liberdade interior: livre é o homem que não se deixa escravizar por seus apetites e segue os princípios que, com a educação, afloram de seu interior.

Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes – fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações) leva à prática da virtude em si, que é una e indivisível.

Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.

O papel do mestre é despertar o espírito


O papel do mestre é, então, o de ajudar o educando a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio “iluminar” sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e à sua expressão – condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano.

A Pedagogia para o Auto-crescimento

Dirceu Moreira

A pedagogia para o autocrescimento: a maestria e a arte de apontar caminhos
Vou começar citando uma frase que dá todo o sentido e onde se baseia este texto: “O Mestre aponta o caminho, o discípulo segue sozinho até encontrar novamente o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo”. Prof. Henrique José de Souza (filósofo, líder espiritual, músico, polígrafo, poliglota, tradutor, e educador).
Agora vou dividir esta frase em três pequenos trechos a fim de que possamos compreender o que e como os grandes Mestres nos transmitem informações através de suas metáforas e parábolas.
1º) O Mestre aponta o caminho.
Os verdadeiros Mestres da humanidade ou aqueles que trilham este caminhar e principalmente os educadores, devem ter como principio que o Mestre não determina caminho, porque determinar é limitar a competência do seu aluno ou discípulos. Mesmo com ser humano no início de sua vida (no seu paidós, do grego=criança) também assim se processa. À medida que os pais oferecem condições para seus filhos seguirem seu autocrescimento da dependência para a autonomia consciente, estará exercendo o papel de Mestres. O sufixo Grego “agogia” tem o sentido de conduzir, guiar e direcionar, porque estamos tratando de uma metodologia voltada para o aprendizado das crianças. Também a própria palavra método de origem Grega significa fazer caminhos. O Mestre, em qualquer área do conhecimento que ele atuar não fará caminhos para ninguém apenas o apontará, porque sua função é despertar e tornar os seus discípulos conscientes do potencial que possuem, tanto quanto ele que naquele momento exercia a função de Mestre. Certa vez Jesus Cristo disse: a tua fé te curou. Ele devolvia para cada um, aquilo que traziam dentro de si, mas que não estava consciente. Os Mestres não devem permitir por parte de seus alunos e discípulos em qualquer idade, expressões do tipo: você é o máximo, você é insuperável, só você me compreende, sem você eu não teria chegado aonde cheguei e outras tantas coisas. Estas crenças nos Mestres limitam a competência dos discípulos e, elas podem ser traduzidas da seguinte maneira nas entrelinhas do emocional: se ele, o Mestre é o máximo, o discípulo é o mínimo. É importante perceber que o verdadeiro Mestre não se coloca no alto para humilhar ou subjugar seus alunos, trata-se apenas de um estado de consciência que este adquiriu, mas que o Mestre sabe que seu discípulo um dia chegará lá através dos seus próprios méritos. Estas crenças só servem para gerar mistificações e a formação de “falsos gurus” que permeiam atualmente nossos meios acadêmicos e não acadêmicos, num estrelismo que chega aos extremos. Se um aluno se mostra excelente, seu Mestre diz: você é muito competente e se supera a cada dia. Ele não compara desempenho, mas também não impede de que seu aluno utilize se das referências do seu desempenho em relação ao outro, desde que isso não venha dirimir a imagem do outro em detrimento da sua. Os pais são os Mestres para seus filhos mesmo antes dos outros Mestres, na escola ou na sociedade. São os Super Heróis, ainda que na infância não morram jamais no coração de seus filhos. Quando os pais ao invés de apontarem caminhos, ao contrário, determinam para seus filhos, estarão criando uma dependência que terá um custo no futuro deles.
Com relação à educação, mais do que nunca requer o renascer de uma pedagogia que agregue valores para compreensão do novo padrão evolucional destas crianças, que a vinte ou trinta anos atrás nasciam ligadas no 220W, relacionado, portanto ao desenvolvimento do mental concreto que observa, compara, deduz e decide com base nos fatos, aquilo, portanto, que é perceptível pelos cinco sentidos, e com isso sub valorizando a sabedoria em detrimento da memória, da decoreba, da repetição e das cópias. Quando nascíamos, ficávamos enfaixados como uma múmia durante um bom tempo e demorávamos a abrir os olhos. E Hoje? Nascem conectadas no global, no 440w, mas pés descalços, os fios desencapados e o chão molhado. Esta é uma metáfora para dizer daquilo que eu entendo do que disse o prof. Henrique J.de Souza: a 5ª essência, ou mental abstrato ou budico (eu superior). A partir deste momento o ser humano desperta para uma consciência de criatividade, por ter o adentrado ao seu Eu Superior, morada da essência Divina, e isto não implica em que este não esteja presente na razão e na emoção. Estas crianças parecem estar em curto o tempo todo. Curto circuito? Não. Curto espaço de tempo para aprenderem o que tem que ser aprendido. Todas elas? Ainda não, mas serão. O mundo dará um volta de 360 graus, então a educação e as novas metodologias terão que ter dado duas voltas. A metodologia do amor será resgatada no seu sentido original: o amor sabedoria. Amor sem sabedoria se transforma em tapinhas nas costas, agrade sempre, pais e mestres bonzinhos. Por sua vez a sabedoria sem o amor os transforma em pessoas frias e intelectóides. Neste novo caminhar não haverá trilhos para uma avaliação quantitativa do processo educacional, mas trilhas onde permeia a flexibilidade e visão sistêmica e global da constituição do ser humano. A avaliação qualitativa não despreza a quantitativa, mas une-se a ela e ambas evidenciam o jogo das polaridades. Todos os dias em sala de aula, o professor atua como Mestre indicando caminhos nos mais variados sentidos e atendendo muitas vezes a uma demanda de 30 ou 40 alunos em sala de aula, situação essa que exige um bom nível de resiliência ou habilidade em lidar e superar as adversidades do dia-a-dia no processo de ensinagem e aprendência. Essa resiliência requer que o Mestre tenha trilhado os caminhos tanto da razão quanto da emoção, da pedagogia, da psicologia, da mente e do coração, em fim a técnica pedagógica e o comportamental.
2º) O discípulo segue sozinho:
Quando o discípulo segue sozinho isto não quer dizer abandonado, porque o Mestre permanece atento ao seu crescente caminhar. Se precisar interferir o fará novamente sugerindo que repense o caminho. Mesmo no ensino infantil o Mestre deverá estar atento ao seu papel de conduzir (agogia) porque os desvios de caminhos são muitos sutis e freqüentes e a isto damos o nome de experiência. Deve ser compensador quando o Mestre observa que não ajuda mais seu aluno segurar o lápis ou caneta, que ele já arruma suas coisas sozinho, que faz suas primeiras operações de matemática, que escreve, lê, compreende e interpreta. Quando o Mestre deixa passar despercebido e não celebra estes pequenos acontecimentos, tornar-se-á mais tarde frustrado porque será incapaz de verificar o quanto foi importante no processo de auto crescimento do seu aluno. Quando isto acontece temos a desmotivação. É preciso saber celebrar a cada passo. Em cada momento deste, o aluno seguiu sozinho e confiante porque a confiança nasce do apoio e proteção do seu Mestre. Às vezes temos que compreender que os erros são ensaios para o acerto e, pedagogicamente aproveitar a oportunidade reconduzindo o aprendiz para o caminho da autonomia. Estar só exige que tomemos iniciativas, mesmo que ela seja simplesmente a de arrumar o quarto, quando a mãe está ocupada com outros afazeres. O Mestre, ao permitir que seu aluno siga sozinho seu caminho terá sempre em mente as etapas de desenvolvimento por que está passando seu aluno. Há uma diferença muito grande entre uma criança de dois anos e outra com três, quando ambas tiverem, seis e cinco, sete e seis anos, doze e onze e assim sucessivamente, o caminhar sozinho terá suas diferenças extremamente importante, além disso, o Mestre deve estar atento aos diferenciais de cada aluno. Nem todos os frutos amadurecem no mesmo período e todos são bons frutos da mesma ÁRVORE da VIDA.
3º) Até encontrar o Mestre novamente, mas desta vez dentro de si mesmo.
Quando o aprendiz vai crescendo e se percebendo no caminho da autonomia, o Mestre por sua vez apenas e tão somente acena para ele e o cumprimenta pelo que conseguiu atingir na sua auto transformação e superação de si mesmo nesta longa caminhada chamada evolução, que podemos resumir no que dizia o prof. Henrique José de Souza: transformação de vida energia em vida consciência. Esta consciência o leva ao maior de todos os encontros: o encontro consigo mesmo, com sua essência aquela da pedagogia do amor que consiste na sabedoria Divina de poder viver uma vida pautada no que há de bom, bem e belo neste mundo. Esta transformação não se deu única e exclusivamente por causa do seu Mestre, mas porque seu Mestre Interior traz a Essência que pulsa em todas as coisas e aquele o ajudou a desperta-la. Quando o Mestre não tem esta postura torna seus alunos dependentes. Por outro lado quando o Mestre é capaz de identificar no seu aluno o potencial e o facilita a desenvolver, terá mil razões para se enthusiamar (enthus do grego é divino) com o progresso do seu aluno e celebrar a sua participação no auto crescimento dele. Quantas vezes os Mestres se esquecem destes detalhes e deixa passar despercebido o momento de um reencontro com seu aluno que agora é um Mestre, não porque dá aulas, mas porque venceu. Mestres, onde estão seus alunos agora, depois de passados Z, Y ou X anos? O que estão, ou onde estão atuando? A minha primeira professora Dona Ondina me conduziu, apontou e ajudou-me nos primeiros passos da vida acadêmica, depois vieram outras que somaram e cheguei onde estou. E você professor (a), Mestre (a) onde estão seus ex-alunos? No meu site tem um projeto que denominei de ALFACE disponível a qualquer escola que o queira utilizar, não há custo, há apenas recompensas do reencontro. Eu jamais poderia deixar de citar aqui, aquele que foi o maior de todos os Mestres do ciclo de peixes: Jesus Cristo. Ele disse três palavras fundamentais para os fundamentos da pedagogia do amor. É doando que se recebe. Assim fazem os Mestres doam-se, mas é importante perceberem também quanto recebem de seus alunos/discípulos. Peças e receberás. Os discípulos/alunos pedem apoio, compreensão, prazo, paciência, amor, oportunidade e, os Mestres por sua vez atende a estes pedidos, mas dentro de uma tônica dos princípios de justiça e sabedoria, para não cometerem o erro de apontarem o caminho da dependência. A terceira frase “a quem muito for dado muito será cobrado”, que passou e passa despercebido da maioria dos alunos. Se pedir, recebemos se doarmos recebemos também, mas há a contra partida: a responsabilidade. Quando adentramos no caminho apontado pelo Mestre e seguirmos como nossos próprios esforços, nos tornaremos Mestres, mas neste caminhar recebemos muito de todos os lados: dos pais, dos educadores (escola), dos amigos e etc. Crescemos em consciência e quanto mais isso ocorre, mas nos tornamos responsáveis. O que, como e quantas vezes você exigia do seu aluno com 4, 6, 9, 15 e etc? Não foram diferentes em cada uma destas fazes, séries (anos)? A pedagogia do amor sabedoria nos conduz a um outro estágio de consciência e em nele chegando, assumimos novas e maiores responsabilidade. Encontrar-se novamente com o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo é sem dúvida um novo renascer, porque será um encontro com o principio do TODO que pulsa dentro de cada ser humano, impulsionado-o rumo à evolução.
Assim os Mestres se comunicam com seus discípulos/alunos, nem sempre deixando tudo tão claro e obvio, mas muitas vezes o fazem nas entrelinhas, a fim de despertar neles a eterna CPI - Curiosidade Permanente de Investigação.

Aos Pais - O Nó do Afeto

Em uma reunião de Pais, numa Escola da Periferia, a Diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-Ihes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível.

Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar a entender as crianças.
Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou a explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana.

Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando ele voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho a que tentava se redimir indo beijá?lo todas as noites quando chegava em casa.

E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.
Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A diretora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante.
E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.
O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem presentes, de se comunicarem com o filho.

Aquele pai encontrou a sua, simples, mas eficiente. E o mais Importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.

Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento. Simples gestos como um beijo a um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas vazias.

É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.

É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o ciúme do bebê que roubou o colo, o medo do escuro. A criança pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afeto e carinho.

E você... já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje?

Somos Pedagogos, responsáveis em conduzir nossos alunos. Mas se quisermos podemos ir muito além... Podemos conduzir os pais de nossas alunos, que talvez estejam somente à espera de quem os conduza, para uma convivência harmoniosa e significativa com seus filhos.

O Verdadeiro Ócio

A verdadeira riqueza é apenas a riqueza interior da alma, tudo o resto traz mais problemas do que vantagens (Luciano). Alguém assim rico interiormente de nada precisa do mundo exterior a não ser um presente negativo, a saber, o ócio, para poder cultivar e desenvolver as suas capacidades espirituais e fruir a sua riqueza interior. Portanto, requer propriamente apenas a permissão para ser ele mesmo durante toda a sua vida, a cada dia e a cada hora. Se alguém estiver destinado a imprimir, em toda a raça humana, o traço do seu espírito, haverá para ele apenas uma felicidade e infelicidade, ou seja, a de poder aperfeiçoar as suas disposições e completar as suas obras - ou disso ser impedido. O resto é-lhe insignificante. Sendo assim, vemos os grandes espíritos de todos os tempos atribuírem o valor supremo ao ócio. Pois este vale tanto quanto o homem. A felicidade parece residir no ócio, diz Aristóteles, e Diógenes Laércio relata que Sócrates louva o ócio como a mais bela posse.

Também corresponde a isso o facto de Aristóteles declarar a vida filosófica como a mais feliz. De modo semelhante, diz na Política: "Poder exercer livremente as próprias aptidões, sejam elas quais forem, é a verdadeira felicidade", o que coincide com a sentença de Goethe em Wilhelm Meister. Quem nasceu com um talento, para um talento, encontra no mesmo a sua mais bela existência. Todavia, possuir ócio é estranho não só à sorte comum, mas também à natureza comum do homem, pois o seu destino natural é o de empregar o seu tempo com a aquisição do necessário para a sua existência e a da sua família. Ele é um filho da necessidade, não uma inteligência livre. Em conformidade com isso, o ócio logo se torna um fardo para o homem comum, por fim um tormento, se ele não conseguir preenchê-lo com os fins artificiais e fictícios de toda a espécie, mediante o jogo, a distração e passatempos de todo o tipo.

Pelos mesmos motivos, o ócio também lhe traz perigo, pois com acerto se diz difícil é a quietude no ócio. Por outro lado, um intelecto que exceda em muito a medida normal também é uma anomalia, portanto, inatural. No entanto, uma vez que existe, o homem que dele dispõe, para poder encontrar a sua felicidade, precisa justamente daquele ócio que, para os outros, ou é inoportuno, ou é pernicioso.

Quanto a ele, sem o ócio, será um Pégasus sob o jugo e, portanto, infeliz. Mas se as duas anomalias se encontram, a exterior e a interior, então é um caso de grande felicidade. Pois aquele assim favorecido levará uma vida de tipo superior, a saber, a de quem está eximido das duas fontes opostas do sofrimento humano, a necessidade e o tédio, ou do laborar preocupado pela existência e a incapacidade de suportar o ócio (isto é, a própria existência livre), que são males dos quais o homem escapará apenas quando eles se neutralizarem e se suprimirem reciprocamente.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida

O Defeito dos Homens Ativos (os muito ocupados...)

Aos ativos falta, habitualmente, a atividade superior: refiro-me à individual. Eles são ativos enquanto funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como seres genéricos, mas não enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e únicas; neste aspecto, são indolentes. A infelicidade das pessoas ativas é a sua actividade ser quase sempre um tanto absurda. Não se pode, por exemplo, perguntar ao banqueiro, que junta dinheiro, qual o objetivo da sua incansável atividade: ela é irracional. Os homens ativos rebolam como rebola a pedra, em conformidade com a estupidez da mecânica. Todos os homens se dividem, como em todos os tempos também ainda atualmente, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços do seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Ócio Criativo e Educação

Domenico De Masi, sociólogo italiano expôs suas idéias sobre a sociedade e o trabalho, sempre atento aos conceitos de uma visão de futuro.O autor é um insatisfeito com o modelo social centrado da idolatria do trabalho e propõe um novo paradigma baseado na simultaneidade entre trabalho, estudo, jogo e lazer, no qual os indivíduos são educados para privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas, a ecologia, a paz, a convivência pacífica, o que, inteligentemente chama de ócio criativo.

Alerta ainda que o ócio pode transformar-se em violência, neurose vício e preguiça. Mas pode também elevar-se a arte, criatividade, liberdade e bem-estar. Lembra-nos que é no tempo livre que devemos passar a maior parte de nossos dias e neles concentrar nossas melhores potencialidades.

Narrando as mudanças de paradigmas ocorridas no decorrer da história da sociedade e do trabalho, conclui que chegamos a ponto de que o único emprego remunerado disponível é do intelectual criativo e aquele que não estiver preparado para isto, terá como futuro o desemprego. Tudo hoje é tecnologia.O futuro pertence aos que sabem usar mais a cabeça e menos as mãos. A pesquisa, a psicologia, o marketing, a arte, a educação, estas são as funções do futuro e não mais a guerra, o petróleo, a fabricação de parafusos e geladeiras.

É a subjetividade que orientará a vida e o trabalho daqui para frente. O homem sempre oscilou entre dois desejos: o de distinguir e o de homogeneizar num processo de dois séculos de homogeneização absolutamente imposto pela indústria. Hoje, a tecnologia nos permite diferenciar, e é o que estamos fazendo, criando ambientes inteligentes armazenados pelo computador; trabalhando em casa, estabelecendo relações virtuais com amigos e parentes; conjugando o pequeno, o grande, o individual e o coletivo.

A plenitude da atividade humana apenas é alcançada quando se acumulam o estudo, o trabalho e o jogo. Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação. Distingue uma coisa da outra com dificuldade.A intelectualidade prescinde à habilidade manual, devemos usar mais a cabeça do que a força física e entre as habilidades intelectuais a mais apreciada é a criatividade e o aspecto técnico prescinde do estético. É a estética que conduz à subjetividade.

Outros valores emergentes são a emotividade e a feminilidade. Devemos valorizar sem temor a esfera afetiva. A racionalidade permite-nos executar bem as nossas tarefas, mas sem a emotividade não é possível criar nada de novo.
As pessoas devem aprender a curtir mais o tempo livre e usá-lo para si. Ficar no emprego mais tempo que o necessário só serve para inventar coisas prejudiciais e aumentar gastos e custos para as empresas que são habitudinárias como paquidermes e repetem a vida inteira as mesmas coisas sem que percebam a sua inutilidade.

Agora, com a Internet, tudo pode ser modificado com muito mais facilidade. Devemos evitar que o indivíduo, uma vez liberto, depois de décadas contínuas, não saiba lidar com esta nova situação, tendo dificuldades para enfrentar este impacto de liberdade. Uma pessoa que não tem tempo livre há anos precisará de uma reeducação para aprender a utilizá-lo, é lógico.
Hoje a forma mais adequada de se garantir a produtividade na empresa é, justamente, melhorar a qualidade de vida dentro e fora dela. É preciso deslocar o trabalho para onde estão os trabalhadores e sermos nômades em busca do lazer, do estudo e da cultura.
Aqueles que assimilam rapidamente as novas categorias se projetam para o futuro. O restante forma o grande exército de perdedores. No mundo de hoje, a velocidade impera, quem é lento fica à mercê. Quem é rápido, decide. O mundo exclui quem não é rápido. Privilegia-se a produção de idéias, exige-se corpo quieto e mente inquieta, o que eu chamo de "ócio criativo": ter mais tempo para "bolar", para "idear".

O ócio é uma arte e nem todos são artistas.
Contudo, teremos muitas resistências, sendo a maior delas, sem dúvida, o masoquismo coletivo: nem sempre as pessoas querem viver melhor e ser mais felizes.

Devemos, portanto, educar as pessoas também, eu diria, até principalmente, para o ócio e não só para o trabalho, como infelizmente acontece até os nossos dias.

Educá-las não para o ócio dissipador e alienante, que nos faz sentir vazios, inúteis e nos afundar no tédio, na depressão e nos subestimar. Mas no ócio criativo que torna a mente ativa, que nos faz sentir livres, fecundos e em crescimento. Não no ócio que nos depaupera, mas no que nos enriquece, alimentado por estímulos ideativos e interdisciplinaridades.

Chegou o tempo em que a vida aumenta e o trabalho diminui. Temos mais tempo, mais cultura e mais consciência disto. Diante desta revolução é esperada uma angústia existencialista .O tédio aumenta porque estamos acostumados a associar tudo na vida a uma só coisa: o trabalho que passou a ser, há milênios, o nosso compromisso-chave e este compromisso tem que passar a ser minoritário do ponto de vista temporal.

De que serve viver se você não se sente viver? Saber viver hoje implica uma pedagogia baseada na solidariedade, nos princípios estéticos e criativos e o trabalho deve ser ensinado como um prazer criativo e estimulante. Deve-se ensinar também o não-trabalho: a viver prazerosamente e com sabedoria, apenas se deliciando, nada ,mais.

Outra palavra de ordem é criatividade. Os jovens de hoje, em 2 015 não poderão dar-se ao luxo de serem desonestos, pois lá os valores emergentes serão escolarização, emotividade, estética, subjetividade, confiança, estabilidade, feminilização, qualidade de vida, desestruturação do tempo e do espaço e a virtualidade. Será dada menos atenção ao dinheiro, posses e bens materiais e ao poder. Maior atenção ao saber, ao convívio social, ao jogo, ao amor, à introspecção. Os métodos pedagógicos deverão valorizar mais o diálogo, a escuta, a solidariedade, a criatividade.

Ciente dos rumos que a sociedade vai traçando, nós pedagogos, podemos desde já preparar nossos alunos para saberem viver no ócio-criativo, isso inclui ensiná-los a escolher um bom filme, um bom livro, viver bem com os amigos e as demais pessoas, gerir uma família, ser um bom cidadão, e mudar a concepção na qual só será feliz aquele que trabalhar bem e muito.

sábado, 29 de março de 2008

Harry Potter e a Magia da Escola

Jaqueline Negreiros



Por que será que Harry Potter tornou-se um fenômeno mundial?

A estória de um menino órfão, cujos pais foram mortos por "forças do mal" sendo salvo graças ao poder do amor , que se descobre bruxo ao completar onze anos e ingressa na Escola de Magia, desperta tanto interesse e fascinação devido aos desejos latentes do inconsciente coletivo.

O inconsciente coletivo é uma estrutura herdada comum a toda a humanidade composta por arquétipos - predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações humanas universais de diferentes maneiras. Há arquétipos que correspondem à várias situações, tais como amizade, ambição, escolha, preconceito, coragem, crescimento, responsabilidade moral, as complexidades da vida e da morte . Todos estes elementos estão contidos no mundo mágico de Harry Potter.

Cada ano da vida de Harry em Hogwarts, onde ele aprende a usar magia, a fazer poções, a ultrapassar obstáculos mágicos, sociais e emocionais servem de estímulo para que enfrentemos nossos próprios obstáculos.Vencer as "forças do mal" nada mais é que vencer o que há de ruim em nós (nossa "sombra")

Nossas escolas poderiam ser como Hogwarts, poderiam nos ensinar a usar a "magia"(mente), a fazer "poções"(aprender as diversas ciências - cada qual com sua importante contribuição)e nos preparar para a vida. Nossos professores deveriam ser respeitados por dominarem o conhecimento das "mágicas" que nos conduzirão ao caminho da "pedra filosofal". Nossos alunos deveriam ser estimulados a enfrentar o "dragão" - que protege a pedra - ao invés de temê-lo. Mas como vivemos num sistema capitalista, materialista e consumista, que não valoriza o conhecimento (os designados "trouxas") tudo o que se espera é que se guarde a "varinha"(bagagem de experiências) para que não cause nenhum transtorno social e que se"assassine" nossa "coruja" (sabedoria) ,nos tornando seres alienados da nossa própria existência - vítimas fáceis de manipulação.
Analogicamente, a história de Harry Potter é a vida interior de cada um de nós sem os véus do superficialismo, da hipocrisia e da ignorância em busca do verdadeiro Conhecimento (a pedra filosofal).

E por quê, pedagogos, não utilizamos nossa condição e ensinamos aos nossos alunos o quão mágica a escola é, despertando neles a vontade de querer aprender sempre mais? Ensinemos a utilizar as "varinhas", as "corujas", as "poções" para que tenham uma vida "mágica"... e como "bruxos", nós podemos!

O Poder da Palavra

Masaru Emoto, cientista japonês, demonstrou como o efeito de determinados sons, palavras,sentimentos, pensamentos, alteram a estrutura molecular da água.
A técnica consiste em expor a água a esses agentes, congelá-la e depois fotografar os cristais que se formam com o congelamento.











Se um simples obrigado muda uma molécula de água, imaginem o que uma prece, palavras de amor, fraternidade, encorajamento, amizade, podem fazer percorrendo nosso corpo carregado de água. Se acontece fora do nosso corpo, ocorrerá dentro dele também, cada vez que agirmos com amor e retidão!
Mas convém lembrar que o inverso também ocorrerá com palavras ou sentimentos de ódio, inveja, vingança,etc. E é com isso que a gente pode adoecer, com água carregada de energia má e destrutiva. Muitas doenças começam a partir de nós! Contudo, se quisermos, tudo acabará a partir de nós também!

Assim sendo, como Pedagogos, devemos ter consciência de que nossas palavras exercem grande influência sobre nossos alunos tanto psíquica quanto fisiologicamente. Prestemos atenção nas nossas palavras porque elas tem o poder de elevar, mas também de destruir...

sexta-feira, 28 de março de 2008

A Educação da Nova Era

Segundo Alice Bailey, o objetivo da nova educação é elucidar o desabrochar cultural da humanidade e considerar o próximo passo a ser dado no seu desenvolvimento mental. O ensino, se verdadeiro, deve estar alinhado com o passado e prover um objetivo para o esforço presente, devendo incluir um futuro espiritual. Isto requer não só uma visão retrospectiva, mas uma visão prospectiva da educação.

A palavra "espiritual" não se refere ao chamado assunto religioso. Todas as atividades que impelem o ser humano em direção a alguma forma de desenvolvimento físico, emocional, mental intuicional, social, se for para o progresso de seu estado atual, será essencialmente de natureza espiritual e será indicativo da existencial (existência) da entidade divina interna.

O espírito do homem é imortal; persiste para sempre, progredindo de um ponto a outro e de estágio a estágio no caminho da evolução, desabrochando firmemente e em seqüência os atributos e aspectos divinos. Nesse sentido, a verdadeira educação é consequentemente a ciência de unir as partes integrais do homem e também ligá-lo, por sua vez, com o seu ambiente imediato, e dar com o todo maior no qual terá de desempenhar seu papel, edificar ou construir uma ponte entre cérebro-mente-alma, produzindo assim uma personalidade integrada, que seja firme expressão do desenvolvimento da alma, morada interna.

A educação tem sido, até agora, em grande parte, um treino de memória, apesar de estar atualmente seguindo o reconhecimento de que tal atitude precisa acabar. A meditação, seguindo linhas adequadas, será parte do currículo. Deverá ser observado, entretanto, que as implicações religiosas da meditação são desnecessárias. A meditação é o processo pelo qual as tendências objetivas e os impulsos vindos da mente são frustrados e ela começa a ser subjetiva, a focalizar e a intuir.

Isto pode ser ensinado por meio de um pensamento profundo sobre qualquer assunto: matemática, biologia e assim por diante. Com o tempo e a prática o educando teria respostas desse empenho. Os mundos objetivo e subjetivo são unificados. O que se encontra acima e o que se encontra abaixo se tornam um. Toda educação deveria tender a essa realização.

O objetivo da educação deveria ser o treinamento do mecanismo de resposta à vida da alma. O aumento do despertar da consciência, o aprofundamento do fluxo da consciência e ao desenvolvimento dos aspectos da alma no plano físico.

Esses aspectos são:

VONTADE ou PROPÓSITO - a vida manifestada deve ser governada pelo propósito consciente espiritual. A direção certa da vontade deveria ser uma das maiores preocupações de todos os verdadeiros educadores. A vontade para o bem, a vontade para a beleza e a vontade para servir deveriam ser cultivadas.

AMOR-SABEDORIA - este é essencialmente o desabrochar da consciência grupal, seu primeiro desenvolvimento é a auto-consciência. Por meio da educação, essa auto-realização deve ser desenvolvida até que o homem reconheça que sua consciência é parte integrante de um todo maior. Ele, então, se mescla com interesses, as atividades e os objetivos grupais. Tornam-se finalmente seus e ele se torna consciente do grupo. Isto é amor. Levas a sabedoria, que é Amor em atividade manifesta. O interesse pessoal torna-se interesse grupal. O amor ao Ego (auto-consciência), o amor aos que estão à nossa volta (consciência grupal), torna-se finalmente amor ao todo (amor a Deus).

INTELIGÊNCIA ATIVA - isso diz respeito ao desenvolvimento da natureza criativa do homem consciente, espiritual. Ela ocorre pelo correto uso da mente, com seu poder para intuir idéias, para responder a impactos, para interpretar, canalizar e construir formas para manifestação. Assim, a alma do homem cria.


Extraído do Site : www.mentehumana.com.br

Pedagogia do Amor

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"Se eu não me criticar, se eu parar de ficar me questionado sobre o que deveria fazer, como vou melhorar, crescer como pessoa?" Para responder esta pergunta, analisaremos o que acontece com as crianças.

A cada vez que se diz a uma criança: "Você não deveria (fazer ou sentir algo), é como se lhe fosse dito: "Se você for você mesma, ninguém vai gostar de você, pois você é muito má. Mas se você se esforçar e for diferente, então poderá encontrar pessoas que gostem de você".

Isto é uma violência contra a criança, talvez comparável a um assassinato. Está-se dizendo à ela para eliminar aquele "eu" (que é ela mesma) e construir um novo em cima. E ela seguirá pela vida profundamente infeliz, tentando fabricar um "eu" que agrade às pessoas, ou então assumindo uma identidade que corresponda àquele monstro que um dia disseram que ela era, tornando-se uma pessoa de difícil convivência, ou até mesmo um delinqüente.

Há muitas pessoas que optaram pelo caminho da marginalidade porque não conseguiram construir aquele "eu" que agradaria às pessoas. Talvez ninguém as odeie mais do que elas mesmas. Foi em virtude de muitos DEVERIAS, aos quais elas não conseguiram corresponder, que elas chegaram aonde estão. Elas se sentem tão em débito com esses deverias que é como se imaginassem uma dívida que jamais conseguirão saldar, pois a cada dia ela aumenta - a cada dia elas acrescentam algo que deveriam/não deveriam ter feito.

Uma outra maneira de educar as crianças é através do que chamarei de Pedagogia do Amor. E do amor incondicional. Aquele que não espera que o outro mude para começar a amá-lo. Aquele que não diz que a criança deveria ser diferente, mas que valoriza todos os seus sentimentos, comportamentos, iniciativas. Aquele amor que não tem a intenção de ter nenhum tipo de controle sobre a criança, que não quer manipular suas reações e comportamentos e moldá-los de acordo com um padrão, ou de acordo com um objetivo que não foi traçado por ela.

Aquele amor que permite que ela simplesmente SEJA ELA MESMA. Que "deixa o rio correr", sem apressá-lo. Que acompanha o fluir livre e leve da criança. Que jamais diz que ela não deveria sentir raiva de alguém, mas que procura compreender seus sentimentos e ensiná-la que quando não se luta contra os mesmos, eles passam por nós bem mais depressa. Deixar o rio correr... Sempre...

Ensiná-la a reconhecer que todo comportamento tem uma intenção positiva. Se ela aprender a reconhecer isto em si mesma, terá muito mais facilidade em reconhecê-lo nos outros. Se ela aprender a ser compreensiva e paciente consigo mesma, também o será com as demais pessoas.

Se ela está sentindo inveja de alguém, ajudá-la a reconhecer que provavelmente ela tem dentro de si uma parte (um "lado") que acredita que ela também merece ser como aquela pessoa, ou ter o que ela tem, e que não há nada de errado nisso. Se ela está com raiva de alguém que brigou com ela, talvez seja porque possui uma parte que acha que ela merecia ser tratada de uma maneira melhor. E assim por diante. Não é difícil saber a intenção positiva de nossas partes internas e aprender a valorizá-las.

Ajudá-la a confiar em seus sentimentos, sensações, intuições, em seu julgamento interno, em sua voz interior, na "voz do seu coração". Ao invés de ficar lhe dizendo o que deveria fazer, perguntar-lhe : "O que você acha disso?" "O que você sente em relação a isso?" Ajudá-la a formar seus próprios valores incentivando a reflexão, fazendo-lhe perguntas que ajudem-na a confiar em sua sabedoria interna. Esta é a maior herança que os pais podem deixar aos filhos, já que pais não são eternos.

Mas talvez você, leitor, esteja dizendo: "Ótimo, entendi o que você disse em relação às crianças. Mas o que eu faço comigo? Com os meus DEVERIAS?"

Sugiro que você imagine uma criança bem pequena, indefesa, que estivesse sofrendo em virtude dos mesmos DEVERIAS que você, que estivesse passando por dificuldades semelhantes às suas. O que você faria com esta criança? O que você diria a ela? Você diria a ela novos DEVERIAS? Você seria tão severo com ela como provavelmente é consigo? Você a ameaçaria? Você diria a ela algo como: "Se você não emagrecer, eu não levo você à praia"?

Acredito que você gostaria de conversar com ela, de tratá-la com carinho, compreensão, talvez de tomá-la nos braços, abraçá-la, confortá-la, dizendo-lhe coisas animadoras.

Geralmente, por mais severos que tenham sido nossos pais, a tendência é que sejamos mais severos conosco do que eles o foram, e um pouco mais compreensivos e benevolentes em relação aos filhos.

Por este motivo, sugiro que você faça com você o que faria com a criança que citei acima. Releia o texto e empregue as sugestões consigo mesmo. Imagine que dentro de você há uma criança e que você terá de cuidar dela pelo resto de sua vida. Você escolhe: ou você vai ser um repressor que controla, critica, diz DEVERIA a toda hora, ou você vai procurar fazê-la feliz, diverti-la, amá-la.

Só conseguimos amar, entender, aceitar as outras pessoas quando somos capazes de fazer tudo isso conosco. Quem não consegue aceitar o comportamento de alguém, quem não consegue gostar de alguém, certamente descobrirá que não consegue aceitar a si mesmo, talvez até não aceite em si aquele mesmo comportamento que não aceita no outro.

É um fato que você poderá constatar: quando paramos de lutar CONTRA nós, contra nossos sentimentos, desejos, quando passamos a ser A FAVOR de nós mesmos, o mundo responde da mesma maneira. A sua vida é o reflexo daquilo que acontece dentro de você. Se você não gosta de si mesmo, se você não se aprova, não se trata com carinho e respeito, não espere que os outros o façam. É o que se chama de AUTO-ESTIMA.

Para isso, você poderá começar a aprender a substituir o DEVERIA pelo EU PREFIRO, EU ESCOLHO, EU APRECIO, EU ME PERMITO.


Artigo publicado no Jornal Tribuna de Indaiá por Nelly Beatriz M. P. Penteado

Crenças

Por Neuza Santos

Sempre pensamos em crenças no sentido de credos ou doutrinas; e muitas crenças o são. Mas, no sentido básico, uma crença é qualquer princípio orientador, como, máximas, fé ou paixão que podem proporcionar significado e direção na vida. Estímulos ilimitados estão disponíveis para nós. Crenças são os filtros pré-arranjados e organizados para nossas percepções do mundo. São como bases de comandos do cérebro. Quando acreditamos com convicção que alguma coisa é verdadeira, é como se mandássemos um comando para o cérebro, de como representar o que está ocorrendo. (Anthony Robbins)

Crenças são as regras pelas quais vivemos. Formam nossos modelos mentais. Nem sempre são fatos ou verdades. Nós, seres humanos, temos crenças sobre os outros, sobre nós mesmos, sobre os nossos relacionamentos, sobre o que somos capazes de fazer, sobre o que é possível, sobre o que achamos que é impossível. O problema está em que, às vezes, tratamos algumas crenças (sobre relacionamentos, capacidades e possibilidades) como se fossem leis e verdades absolutas e imutáveis e não é bem assim.

As crenças formam nosso mundo social e agem como profecias auto-realizáveis. É claro que algumas coisas não são influenciadas por nossas crenças. Um exemplo típico disso são as leis da natureza, imutáveis, como a gravidade. Não importa se acreditamos nela ou não. Nada a mudará. Em geral, comportamo-nos do mesmo modo. Nossas ações refletem o que absolutamente acreditamos, como se nossas crenças fossem fixas e imutáveis.

Crenças são oriundas da nossa educação, da cultura, do ambiente em que vivemos, do exemplo de pessoas que são importantes para nós, das experiências e traumas do passado e de experiências repetidas. É bom lembrar que as crenças criam resultados que podem ser excelentes e estimulantes ou desastrosos e danosos.

Algumas crenças limitam nossa visão. Lembram-se da parábola de Platão sobre “a alegoria da caverna”? Ele conta que havia um grupo de pessoas que habitavam uma caverna subterrânea acorrentadas pelo pescoço e pelos pés e que viviam de costas para a entrada da caverna, de modo que, tudo que viam na parede dentro da caverna, era a sombra projetada do que acontecia no mundo exterior à caverna. Um dia, um daqueles habitantes consegue se libertar daquela prisão, sai da caverna para o mundo exterior e conhece “uma outra realidade” e logo volta para contar aos outros que o que eles vêem não passa de sombras trêmulas e são limitações da realidade. Ninguém consegue acreditar nele e argumentam que, o que vêem, é tudo o que existe. Acham que ele ficou louco e acabam matando-o.

Pessoas matam e morrem por suas crenças. A vida de “pessoas especiais” se edifica sobre suas crenças. Crenças negativas não se baseiam na experiência e sim naquilo que “adotamos como nossas verdades”. Elas funcionam como permissão ou obstáculo. Sejam quais forem as circunstâncias, o sucesso ou o fracasso das pessoas se mede por suas convicções e crenças. O que obtemos na vida depende exclusivamente de nossas “estratégias mentais”. Existem estratégias mentais positivas que nos trazem felicidade, sucesso e abundância e as estratégias mentais negativas que nos causam infelicidade, escassez, doenças e morte.

Mas as crenças podem mudar, podemos escolher novas crenças, deixando de lado as que nos limitam. Crenças positivas funcionam como autorização para explorar um mundo novo e cheio de possibilidades. Precisamos decidir que crenças valem a pena manter para o nosso crescimento, felicidade, saúde física e emocional.

Portanto, agora, a única pergunta que você pode fazer a si mesmo é: o que eu desejo para a minha vida? Em seguida mudar suas “estratégias mentais” para obter aquilo que deseja. O subconsciente é a parte da mente que abriga suas convicções e crenças e decide tudo o que você obtém. Entende, agora, porquê você pensa do jeito que pensa? Então agora você percebe a importância da reprogramação de algumas de suas convicções e crenças? Para que a “nova programação” se instale em nosso subconsciente, precisamos conhecer a estrutura de funcionamento do nosso cérebro para só então, aprendermos a destravar nossos “poderes especiais”, livrando-nos dos nossos cadeados mentais.

Extraído do site "universodamente.com.br"

O Poder da Educação

Conta-se que o legislador Licurgo foi convidado a proferir uma palestra a respeito de educação. Aceitou o convite mas pediu, no entanto, o prazo de seis meses para se preparar. O fato causou estranheza, pois todos sabiam que ele tinha capacidade e condições de falar a qualquer momento sobre o tema, e por isso o haviam convidado.

Transcorridos os seis meses, compareceu ele perante a assembléia em expectativa. Postou-se à tribuna e logo em seguida entraram dois criados, cada qual portando duas gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo duas lebres e dois cães. A um sinal previamente estabelecido, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e a pequena lebre, branca, saiu a correr, espantada. Logo em seguida o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu em desabalada correria ao encalço da lebre. Alcançou-a com destreza, trucidando-a rapidamente.

A cena foi dantesca e chocou a todos. Uma grande admiração tomou conta da assembléia e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal convencionado e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão.

O povo mal continha a respiração. Alguns, mais sensíveis, levaram as mãos aos olhos para não ver a reprise da morte bárbara do indefeso animalzinho que corria e saltava pelo palco. No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, em vez de abocanhá-la, bateu-lhe com a pata e ela caiu. Logo a lebre ergueu-se e se pôs a brincar com o cão. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranqüila convivência, saltitando de um lado a outro do palco.

Então, e somente então, Licurgo falou: - Senhores, acabais de assistir a uma demonstração do que pode a educação.

Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães. A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação.

E prosseguiu vivamente o seu discurso, dizendo das excelências do processo educativo: - A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo.

Eduquemos nossos filhos, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos aos seus corações, ensinemos a eles a despojarem-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.
Licurgo foi um legislador grego que deve ter vivido no séc. quarto antes de Cristo.

O verbo educar é originário do latim "educare" (ou "educcere"), e quer dizer "extrair", "sacar fora".

Percebe-se, portanto, que a educação não se constitui em mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam.

Milho Bom


Esta é a história de um fazendeiro bem-sucedido.

Ano após ano, ele ganhava o troféu "Milho Gigante" da feira da agricultura do município. Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito.

E o seu milho era cada vez melhor...

Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto.

O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do seu milho gigante com os vizinhos, então perguntou:

- Como pode o senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos, quando eles estão competindo com o seu?

O fazendeiro pensou por um instante e respondeu:

- Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento, de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser cultivar milho bom, tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.

Ele era atento aos laços da vida. O milho dele não poderia melhorar se o milho do vizinho também não tivesse a qualidade aprimorada.

Assim é também em outras dimensões da nossa vida. Aqueles que escolhem estar em paz devem fazer com que seus vizinhos estejam em paz. Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. E aqueles que querem ser felizes têm que ajudar os outros a encontrar a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.